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Governança do agro potiguar se prepara para implantação de ecossistema inovador

Oficina realizada na Agência Sebrae Festa do Boi repassa a metodologia Ecossistemas Locais de Inovação do Agronegócio. Após o ciclo de oficinas, será criado um plano de ação
Por Especial Festa do Boi 2023
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Parnamirim – Na manhã desta quarta-feira (11), gestores do Sebrae no Rio Grande do Norte e consultores especialistas em inovação estiveram reunidos na Agência Sebrae Festa do Boi, instalada no Parque Aristófanes Fernandes, juntamente com as instituições públicas e privadas, principais atores ligados ao setor rural, passaram a conhecer melhor a metodologia Ecossistema Local de Inovação do Agronegócio – ELI Agro do Rio Grande do Norte. O repasse ocorreu na 1ª Oficina de Construção do ELI Agro do RN. Esse é o primeiro passo para a elaboração do plano de ação voltado para o ecossistema inovador do agronegócio do Rio Grande do Norte.

Representantes do Sebrae, setor público e de instituições parceiras se reuniram para definir plano de atuação do Ecossistema Local de Inovação do Agro no RN. Fotos: Marco Polo

A metodologia Ecossistema Local de Inovação (ELI) foi desenvolvida pelo Sebrae em parceria com a Fundação CERTI e é caracterizada por uma abordagem de mapeamento e intervenção. O método inclui a identificação dos atores e áreas com maior potencial de inovação, a partir da análise de variáveis técnicas. Esses parâmetros envolvem potencial tecnológico, com a existência de cursos de mestrado e doutorado em áreas como engenharia, biotecnologia, entre outros, bem como vocação produtiva em segmentos com perfil na área de inovação e tecnologia, como empresas de química e materiais, além de softwares.

Após esse mapeamento, é construído um plano de intervenção junto com os atores de inovação locais para preencher lacunas e potencializar o desenvolvimento regional, ancorado nas atividades de inovação. Para a metodologia Ecossistema Local de Inovação do Agronegócio – ELI Agro, esses parâmetros da metodologia original foram adaptados para averiguar o potencial de inovação exclusivamente de atividades ligadas ao agronegócio.

A gerente da Unidade de Desenvolvimento Rural do Sebrae-RN, Mona Paula Nóbrega Lira, explica que essa é a primeira de uma série de quatro oficinas com os integrantes da cadeia produtiva e entidades com atuação envolvendo atividades rurais, ciência e tecnologia. Outra está programada para novembro e as duas últimas serão realizadas apenas em 2024, nos meses de fevereiro e março, para, em seguida, iniciar a elaboração de um plano de ação ainda no próximo ano para o ecossistema, que foi lançado lançado no mês passado, no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. Segundo, a gerente essa primeira capacitação busca a validação do mapa de atores do ecossistema do agronegócio do estado, entendendo quem compõe esse ecossistema e as entrega de cada um nesse processo de construção da metodologia.

Gerente da UDR do Sebrae-RN, Mona Paula, é uma das entusiastas do ELI Agro

“Em seguida, a gente vai discutir um pouco sobre as vocações para priorizar os eixos de atuação desse movimento. Temos diversas cadeias produtivas dentro agronegócio do estado, como fruticultura, pecuária, carcinicultura e apicultura, por exemplo. Dessa diversidade de atividades, vamos escolher aquelas que serão prioritárias para o grupo que vai trabalhar o ecossistema de inovação do agronegócio”, afirma Mona Paula.

Maturidade do ambiente de negócio

A gerente do Sebrae-RN argumenta sobre a necessidade de um diagnóstico com o perfil dos empreendimentos, quanto ao índice de maturidade em inovação, e a relação com a oficina ministrada nesta quarta-feira (11). “Essa oficina também marca o início das entrevistas com todos esses atores para entender o que cada um pode entregar nesse processo. Isso é importante para que, de fato, a gente possa construir em cima desses conhecimentos prévios esse ecossistema do agronegócio com base na inovação”, detalha.

A ideia é que, ao final das oficinas, seja possível identificar o grau de maturidade do ecossistema de inovação do agronegócio do Rio Grande do Norte para assim construir o plano de ação. “Nosso objetivo é estabelecer um ecossistema dotado de um agronegócio mais competitivo, de base mais tecnológica e com mais startups e inovação dentro dessas cadeias produtivas”, espera.

Consultores credenciados pelo Sebrae-RN , Bôsco Freire e Antônio Braulio, conduziram os trabalhos da 1ª Oficina do ELI Agro no RN

Para a metodologia engrenar, todos os atores deverão ter papéis bem definidos antes mesmo da construção do plano de ação. As instituições envolvidas na implantação têm atribuições e responsabilidade específicas. O Sebrae é responsável por ofertar programas de fomento ao agronegócio. Já o Banco do Nordeste atuará efetivamente na área de crédito, lançando editais de investimento e captação de recursos para os produtores. O Senai-RN entra com assistência técnica no campo.

“Cada um dos atores vai colocar seu conhecimento e sua expertise dentro desse plano de ação, de forma integrada, para que de fato a gente tenha um ecossistema mais alinhado e sinérgico. Para que a gente possa avançar na competitividade do agronegócio do estado”, resume Mona Paula.

No Sebrae a metodologia ELI é operada pela Unidade de Negócios, Inovação e Tecnologia (UNIT), que se aliou à Unidade de Desenvolvimento Rural do Sebrae-RN para levar o método também ao meio rural. De acordo com o gerente da UNIT, David Góis, a interseção de dois setores do Sebrae atuando em uma mesma iniciativa ocorre porque a UNIT é uma unidade de apoio aos setores finalísticos. “Auxiliamos, planejamos e operacionalizamos com as demais unidades e agências do Sebrae na implementação dessas metodologias. O nosso papel é fazer com que essas ações de inovação aconteçam de maneira mais fluida e efetiva junto aos nossos setoriais”, explica David.

Agro mais inovador

Sobre o esforço para consolidar um ecossistema inovador para o agronegócio do estado, David Góis se mostra entusiasmado. “O início desse trabalho no agronegócio nos deixa muito animados, porque o agronegócio já é um setor forte no nosso estado e terá a partir de agora uma estratégia integrada de desenvolvimento. Esperamos que esse trabalho facilite a geração de negócios inovadores no agronegócio e possamos sair da produção básica de produtos com baixo valor agregado, e passando a desenvolver produtos, serviços e, logicamente, empresas inovadoras”.

David Góis, gerente da Unidade de Negócios, Inovação e Tecnologia do Sebrae-RN

Na visão do gerente do Sebrae-RN, todo o ecossistema será impactado com essas ações de estímulo à inovação. “Universidades terão ainda mais reconhecimento da sociedade. As associações comerciais terão mais visibilidade, porque terão nos seus portfólios mais empresas inovadoras, vendendo mais e para outros estados. Os produtores que hoje trabalham só com produtos básicos poderão, futuramente, oferecer o básico e também produtos inovadores dentro do seu portfólio”, prevê o gerente.

“Essa metodologia acaba impactando todo o ecossistema. Inclusive o setor público também é impactado, pois esse sistema acaba provocando as secretarias e as prefeituras a terem uma legislação específica daquele segmento, o que acaba dinamizando todo o trabalho e elevando o papel da prefeitura na sociedade”, avalia David Góis.

A 61ª Festa do Boi é uma realização da Associação Norte-rio-grandense de Criadores – ANORC e do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca, em parceria com a Prefeitura Municipal de Parnamirim, Sebrae-RN e Polo Sebrae Agro. O evento prossegue até o próximo sábado (14), no Parque de Exposições Aristófanes Fernandes, em Parnamirim, região metropolitana de Natal.