Celebrado nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência chama atenção para a presença feminina em áreas decisivas ao desenvolvimento econômico e social. No Rio Grande do Norte, a trajetória da professora Anna Giselle, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), mostra como a ciência pode sair do ambiente acadêmico, ganhar o mercado e impactar diretamente a vida das pessoas.

Docente do Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN), ela atua com tecnologia e inteligência artificial aplicadas à saúde e descreve sua caminhada como ciência aplicada — aquela que nasce na pesquisa, mas não fica restrita aos artigos científicos. “Eu tinha o conceito da ciência como algo muito teórico, mas hoje trabalho com ciência aplicada, com impacto social. A pesquisa começa na universidade, mas buscamos levar esse conhecimento para resolver problemas reais e ajudar pessoas”, relata.
Esse movimento de aproximar conhecimento e prática também acontece dentro da sala de aula. Foi a partir de um desafio lançado em uma disciplina sobre inovação que surgiu a Mindforest, startup da qual Anna Giselle é sócia-investidora. A empresa atua na gestão da saúde mental nas organizações, utilizando tecnologia aliada ao cuidado humanizado para reduzir o burnout e melhorar a produtividade.
A iniciativa ganhou fôlego ao ser selecionada na segunda edição do Programa Centelha no Rio Grande do Norte, em 2022, executado pelo Sebrae-RN. O programa incentiva a criação e consolidação de negócios inovadores, conectando ideias promissoras ao mercado.
Para a professora, transformar pesquisa em empreendimento é uma consequência natural quando se trabalha com problemas reais. “Quando você resolve algo que realmente é uma dor da sociedade, abre-se um mercado. Levar essa solução para o mercado é o que permite gerar impacto, criar empregos e movimentar a economia”, afirma.
Segundo a gestora do Programa Centelha no Sebrae-RN, Isabela Cavalcanti, exemplos como o da Mindforest evidenciam como a inovação pode colocar a saúde a serviço da população por meio do empreendedorismo.
“Quando a pesquisa se transforma em negócio, ela amplia seu alcance e chega a mais pessoas. O Centelha é um espaço aberto às mulheres, que vêm ocupando o ecossistema de inovação com protagonismo e competência”, destaca Isabela Cavalcanti.
Ao revisitar sua trajetória, Anna Giselle reconhece a importância de títulos como o doutorado e o pós-doutorado, mas avalia que o maior reconhecimento vai além da formação acadêmica. “A gente pensa nos títulos como grandes marcos, mas o que realmente faz diferença é quando um projeto impacta a vida de alguém”, diz.
Para ela, ampliar a presença feminina na ciência é essencial não apenas por uma questão de equidade, mas pela diversidade de perspectivas. “A mulher traz um olhar diferente, uma sensibilidade. Ter diferentes visões na ciência fortalece as soluções que construímos”, conclui.

