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Projeto Quintais Mendonça encerra ciclo com intercâmbio entre produtores e aposta na valorização do mel do Mato Grande

Iniciativa do Sebrae-RN e da CPFL Energia fortalece apicultura e meliponicultura em comunidades rurais e destaca potencial gastronômico do produto
Por Redação
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O último ciclo do projeto Quintais Mendonça foi marcado por troca de experiências, integração produtiva e valorização do mel como produto de mercado. A ação, realizada nesta semana, promoveu a aproximação entre apicultores do território do Mato Grande, público atendido pela iniciativa, e produtores mais experientes do município de Jandaíra, referência regional na cadeia da meliponicultura.

Fruto de parceria iniciada em outubro de 2024 entre o Sebrae-RN, Grupo CPFL Energia e a State Grid, o projeto atua com famílias das comunidades indígenas de Serrote de São Bento, Amarelão e Santa Terezinha, localizadas no município de João Câmara. Durante o período, a proposta adotada foi a de profissionalizar a produção de mel, ampliar a produtividade e estruturar a comercialização, combinando geração de renda com práticas sustentáveis.

Durante o encontro, os produtores visitaram a Casa de Mel Modelo 1, estrutura voltada ao beneficiamento adequado do mel, dentro dos padrões sanitários exigidos. A experiência permitiu conhecer de perto o funcionamento da agroindústria e compreender etapas que vão da colheita ao envase.

Morador do distrito de Santa Terezinha, o produtor João Batista destacou a importância da iniciativa. “Estamos aqui para conhecer a Casa de Mel em Modelo 1 e muito felizes com esse projeto da CPFL junto com o Sebrae. A gente acredita que vai ter sucesso”, afirmou.

A programação também incluiu visita à Associação de Jovens Agroecologistas Amigos do Cabeço (JOCA), entidade sediada na comunidade do Cabeço, em Jandaíra, que já possui experiência consolidada na produção e comercialização de mel de abelhas nativas sem ferrão.

A presidente da associação, Lorene Barbosa, ressaltou o valor do intercâmbio. “Foi muito importante receber os produtores dos Quintais Mendonça e mostrar o que desenvolvemos aqui. A meliponicultura é uma atividade viável, promissora, que gera renda e oportunidade para quem vive no campo. A associação tem fortalecido essa cadeia e já conseguimos avançar na comercialização”, explicou.

Entre os participantes do projeto estava Josué Alves Feitosa, mais conhecido como Noronha, presidente da Associação de Apicultores da comunidade Modelo I . Para ele, o momento representa a retomada de uma atividade que é símbolo de identidade comunitária. “Para mim é um prazer grande estar aqui com a gente e ver que conseguimos reativar uma comunidade de mel. Por alguns problemas a gente tinha cancelado a atividade e agora, com as ações do projeto, reativamos a Casa de Mel. Eu estava pensando que não ia dar mais certo, mas graças ao apoio que recebemos conseguimos voltar à atividade e fortalecer a nossa comunidade, as famílias, e estamos prontos para seguir firmes”, declarou.

Foto: Isadora Aragão

De acordo com Nilson Dantas, gestor da área de apicultura e meliponicultura do Sebrae-RN, o encerramento do ciclo simboliza uma etapa estratégica. “Estamos concluindo um momento importante, que é aproximar os produtores atendidos pelo projeto das agroindústrias e dos parceiros comerciais. Além de conhecerem onde o mel pode ser beneficiado, eles passam a enxergar novas possibilidades de mercado e agregação de valor”, pontuou.

Para a gerente de Desenvolvimento Rural do Sebrae-RN, Mona Nóbrega, esta etapa consolida o avanço produtivo e comercial da iniciativa. “Essa última fase do projeto é de extrema relevância. Os apicultores e meliponicultores podem colher até 1.000 quilos de mel nesta safra e devem realizar as primeiras vendas já nesse ciclo. Neste momento, eles não farão o beneficiamento; o produto será comercializado diretamente nas melgueiras para processamento posterior, a partir da aproximação comercial promovida pelo próprio projeto com a cadeia de valor. É renda direta para o produtor e um produto de qualidade, com identidade territorial, chegando ao mercado”, destacou.

Além do fortalecimento produtivo, o projeto também investiu na entrega de kits de equipamentos, capacitações em manejo, suporte para legalização das casas de mel e incentivo ao plantio de espécies nativas da Caatinga, fundamentais para a manutenção das abelhas e da biodiversidade local.

Para coroar o ciclo, uma ação gastronômica conduzida pela consultora do Sebrae-RN Adriana Lucena apresentou receitas elaboradas com mel como um dos ingredientes principais, demonstrando na prática como o produto pode ganhar valor agregado e ampliar sua inserção no mercado. Pratos doces e salgados destacaram a versatilidade do insumo e reforçaram a importância de pensar o mel não apenas como matéria-prima, mas como diferencial de sabor na mesa do consumidor.

O Quintais Mendonça já foi um dos cases do RN destacado internacionalmente durante a COP 30 por aliar desenvolvimento econômico à sustentabilidade, especialmente ao incentivar a apicultura e a meliponicultura como estratégias de convivência produtiva com o semiárido.

Foto: Adeilton Silva

Com o encerramento deste ciclo, o projeto conecta uma rede mais integrada entre produtores, associações e agroindústrias, fortalecendo a cadeia do mel no Mato Grande e ampliando as perspectivas de renda para produtores locais.

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