O avanço da inovação no agronegócio passa pela capacidade de transformar conhecimento em respostas para problemas concretos enfrentados por quem está no campo. É com esse propósito que o Sebrae-RN lançou, na sexta-feira (14), durante a Festa do Bode, em Mossoró, a terceira edição do Desafio ELI Agro. A iniciativa integra as ações do Ecossistema Local de Inovação do Agro e, neste ano, concentra esforços em buscar soluções inovadoras para gargalos relacionados às cadeias produtivas da carcinicultura de agricultura familiar e da fruticultura.
As inscrições estão abertas até 31 de agosto e podem ser feitas no link Desafio EliAgro A jornada do desafio tem pouco mais de 90 dias, e reúne capacitações, atividades práticas, metodologias de inovação, mentorias e desenvolvimento de soluções. A expectativa do Sebrae RN é ampliar ainda mais a participação de estudantes e alcançar entre 40 e 45 equipes, envolvendo mais de 200 participantes. No ano passado, a iniciativa alcançou 30 equipes, reunindo cerca de 170 estudantes.
Para a gerente da Unidade de Desenvolvimento Rural e Negócios de Impacto do Sebrae RN, Mona Nóbrega, ampliar a participação de jovens é parte de uma estratégia para aproximar a inovação das necessidades ainda presentes no meio rural. “A gente ainda encontra diversas cadeias produtivas dentro do agronegócio muito tradicionais, com manejos antigos, pouca mecanização e pouca tecnificação. Precisamos estimular essa mudança para melhorar a produtividade e a qualidade de vida do produtor, especialmente da agricultura familiar. E ninguém melhor para fazer isso conosco do que o jovem, com uma mente criativa, dentro de uma universidade, com muitos recursos, informação e conhecimento que precisam ser aplicados”, destaca.
Conexão com o campo
Na terceira edição, o Desafio ELI Agro parte de dez desafios prioritários apresentados por parceiros diretamente ligados às cadeias produtivas da carcinicultura e da fruticultura.
Na carcinicultura de agricultura familiar, a Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores de Camarão (ANCC) participa da iniciativa e apresenta cinco desafios relacionados a questões como manejo, monitoramento, contagem e acompanhamento de larvas e pós-larvas. A proposta é estimular soluções capazes de incorporar mais tecnologia aos sistemas de produção e contribuir para o aumento da eficiência e da produtividade da atividade.
Na agricultura familiar, a parceria com a Unicafes RN amplia o olhar para diferentes necessidades dos pequenos produtores, incluindo comercialização, rastreabilidade, embalagem, manejo e adaptação às mudanças climáticas.
Entre os desafios está a busca por tecnologias que ajudem os produtores a lidar com eventos climáticos, reaproveitamento de água e outros impactos que podem afetar a produção. A intenção é transformar informações e conhecimentos científicos em ferramentas que possam ser utilizadas diretamente nas propriedades.
“A gente precisa se preparar para isso para ontem. A academia tem muitos dados sobre essas questões. O que precisamos é transformar esses dados em solução, em previsibilidade, e fazer com que isso seja aplicado”, ressalta.

O Desafio Eli Agro já começa a mobilizar estudantes de diferentes áreas do conhecimento. Anna Rosa, estudante do curso de Gestão Ambiental da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), destaca a possibilidade de construir propostas a partir dos desafios apresentados pelas cadeias produtivas. “A gente já pode pensar em propostas com os orientadores, principalmente voltadas para a fruticultura e a carcinicultura de agricultura familiar. Uma peça-chave é buscar soluções dentro da perspectiva das mudanças climáticas. Estou muito animada para participar e contribuir com esse desafio”, afirma a estudante.
Da ideia à solução
Durante pouco mais de 90 dias, os participantes passarão por diferentes etapas de seleção e desenvolvimento. Depois da inscrição, as equipes entram em uma jornada digital de aprendizagem, na qual terão contato com os problemas e desafios do agronegócio e serão orientadas sobre metodologias que auxiliem na construção das soluções.

As equipes participam de uma trilha de capacitação, atividades interativas, mentorias e momentos de contato com os problemas enfrentados pelo setor produtivo, antes de desenvolver e apresentar suas propostas.
Após as etapas de capacitação e desenvolvimento, as equipes avançam para momentos presenciais de aprofundamento e avaliação. A programação prevê uma etapa no Go!RN, maior evento de inovação do estado. Nessa fase, os participantes terão contato com metodologias de inovação e seguirão para a grande final, na edição 2026 da Festa do Boi.
Na etapa final, os estudantes apresentarão suas soluções diante de uma banca formada por representantes dos parceiros, professores e produtores rurais. A avaliação levará em consideração o potencial das propostas e sua capacidade de responder aos desafios apresentados pelo setor produtivo.
Os participantes concorrem a premiações como notebooks e smartphones, que também têm o objetivo de oferecer aos jovens ferramentas para continuar desenvolvendo seus projetos e ampliando o uso da tecnologia.

