Os pequenos negócios têm participação decisiva na economia do Rio Grande do Norte. Presentes em todos os municípios e em diferentes setores de atividade, as micro e pequenas empresas representam 54% dos vínculos formais de emprego na iniciativa privada do estado e respondem por 36,6% do Produto Interno Bruto (PIB) potiguar. São mais de 277 mil empreendimentos ativos, entre microempreendedores individuais (MEI), microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP). Os números integram o Boletim de Pequenos Negócios do Rio Grande do Norte, elaborado pelo Sebrae-RN com dados de setembro de 2026.
Celebrado em 5 de outubro, o Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa ganha um significado especial neste ano, quando a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (Lei Complementar nº 123/2006) completa 20 anos. A legislação representou um marco para o ambiente de negócios brasileiro ao estabelecer tratamento diferenciado e favorecido aos pequenos empreendimentos, com medidas de simplificação tributária e redução da burocracia, entre outros benefícios.
No Rio Grande do Norte, os pequenos negócios correspondem a aproximadamente 88% das 314.244 empresas ativas registradas no estado. Desse universo, 155.419 são microempreendedores individuais, o equivalente a 56% do total de pequenos negócios. As microempresas somam 104.527 (37,7%), enquanto as empresas de pequeno porte representam 17.513 (6,3%). Do total de empreendimentos desse segmento, 235.260 estão enquadrados no Simples Nacional.
Fernanda Câmara, sócia-proprietária da Sabores da Vivenda é uma dessas empreendedoras. Para ela “empreender em 2026 foi desafiador, mas sou perseverante e estou no mercado há 15 anos. Uma forma para aumentar as vendas foi a obtenção do Selo Arte para nosso doce leite. O Sebrae sempre esteve junto das minhas conquistas pois sem o apoio deles empreender fica mais difícil, destacou. O Sabores da Vivenda, localizada na zona rural de Ceará Mirim, é um empreendimento familiar que produz doces e geleias de frutas.
Emprego e geração de renda
A importância do segmento também aparece nos indicadores do mercado de trabalho. Dos 740.730 vínculos formais registrados no Rio Grande do Norte, 270.504 estão nas micro e pequenas empresas. Considerando apenas os empregos formais da iniciativa privada, a participação chega a 54%.

Entre janeiro e julho de 2026, as micro e pequenas empresas apresentaram saldo positivo de 7.533 empregos, resultado da diferença entre admissões e desligamentos. Enquanto as microempresas registraram saldo de 7.814 vagas, as empresas de pequeno porte tiveram resultado negativo de 281. No mesmo período, médias e grandes empresas, juntas, fecharam o período com saldo negativo de 5.711 postos de trabalho.
Para o superintendente do Sebrae-RN, Zeca Melo, os números demonstram que fortalecer os pequenos negócios significa investir diretamente no desenvolvimento econômico e social do estado.
“Quando olhamos para a economia do Rio Grande do Norte, encontramos nos pequenos negócios uma força que está presente na vida das pessoas e na realidade de todos os municípios. São empreendedores que geram oportunidades, movimentam o comércio, prestam serviços, produzem e ajudam a manter a renda circulando perto de onde as pessoas vivem. Os dados mostram que não estamos falando de um segmento complementar, mas de uma parte essencial da nossa economia. Por isso, precisamos continuar trabalhando para que esses empreendedores tenham condições de crescer, inovar e gerar ainda mais empregos”, destaca.
Empreender em diferentes territórios
A distribuição dos pequenos negócios pelo território potiguar destaca a capilaridade desse porte empresarial. Natal concentra 99.402 empreendimentos, seguida por Parnamirim, com 29.352, e Mossoró, com 26.727. São Gonçalo do Amarante aparece na quarta posição, com 8.550, enquanto Caicó reúne 5.832 pequenos negócios.
Entre as atividades econômicas com maior presença estão o comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios, com 13.958 estabelecimentos, e os serviços de cabeleireiros, manicure e pedicure, que somam 11.024. Também se destacam promoção de vendas, minimercados e mercearias, atividades de ensino, lanchonetes e restaurantes.

A movimentação do empreendedorismo também pode ser observada na abertura de empresas. Entre outubro de 2025 e setembro de 2026, foram registrados 56.317 novos pequenos negócios no Rio Grande do Norte, de um total de 58.624 empresas abertas no período. O número corresponde a aproximadamente 96% das novas inscrições empresariais.
Duas décadas de avanços
Ao completar 20 anos, a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa reafirma a importância de políticas públicas que reconheçam as particularidades dos pequenos empreendimentos. A legislação instituiu um tratamento diferenciado para esse segmento e criou as bases para avanços como o Simples Nacional, contribuindo para simplificar o recolhimento de tributos e estimular a formalização.


