Mossoró – O interior do Rio Grande do Norte vivenciou, no último sábado (27), uma verdadeira imersão no ecossistema da inovação com a realização da 9ª edição do Startup Day. Considerado um dos maiores movimentos de estímulo ao empreendedorismo digital em fase inicial, o evento realizado pelo Sebrae RN mobilizou, além de Natal, comunidades de startups em Mossoró, Caicó, Currais Novos, Assú e Pau dos Ferros. O intuito é despertar e orientar interessados no tema e promover a descentralização de negócios desta natureza dos grandes centros e alcançar empreendedores de municípios distantes da capital.
Em Mossoró, para alcançar o objetivo de interiorizar o desenvolvimento de startups, a agência local do Sebrae desenvolveu programação especial para tratar de temas cruciais do ecossistema e alcançar todos os níveis de maturidade dos negócios, desde a ideação até a operação.
“Mostramos como se estrutura uma ideia inovadora, de um método inclusive utilizado pelo Google, também um momento de como tornar o ambiente favorável para startups, e aí envolve todos os atores do ecossistema, e tivemos também, sob a perspectiva de investimentos, o que investidores observam, que características são levadas em consideração para aportar recursos. Ou seja, tivemos a preocupação de oferecer uma programação que trata de todos os momentos de uma startup, de modo a alcançar todos os níveis de maturidade do negócio”, detalhou Paulo Miranda, gerente da Agência Sebrae Mossoró.
Para a especialista em comunidades de startups e consultora do Sebrae São Paulo, Isadora Azzalin, ações como o Startup Day e outras semelhantes são determinantes para a disseminação de negócios digitais em municípios distantes dos grandes centros. Segundo ela, que ministrou palestra sobre “Como construir o ambiente ideal para startups transformarem o país”, a formação de comunidades também é determinante para a conquista deste objetivo.
“Imagina quanta gente boa a gente tem no interior e que não tem acesso às oportunidades de conhecer mais, de empreender, de vivenciar um Startup Day ou Startup Weekend, que mudou minha vida. A gente precisa ter esses eventos no Brasil inteiro, a gente precisa ter mais gente falando. Então, interiorizar essas ações é muito importante para que tenhamos mais oportunidade de desenvolvimento, não só econômico, mas social. Temos boas pessoas em todos os lugares, mas as oportunidades acabam se concentrando nos grandes centros. Para isso, formar comunidades também é decisivo”, pontuou.
Metodologia
Mas superar as barreiras para se tornar um empreendedor digital vai além, alerta o consultor de gestão organizacional Jodrian Freitas. Aos presentes no auditório da Agência Sebrae Mossoró, ele apresentou a Sprint, metodologia criada pelo Google, e alertou sobre a importância de utilizar o método, capaz de transformar em negócio aquela ideia que está parada no papel. Segundo Freitas, o diferencial da metodologia está no foco.
“A metodologia mostra o passo a passo para que o empreendedor transforme uma ideia em realidade no prazo de cinco dias. Ela preza pelo foco no propósito, e tem como objetivo desenvolver o protótipo do negócio nesse período. Com o método, é possível errar rápido e corrigir o erro com rapidez. Você conseguirá identificar os erros durante a criação do protótipo, evitando que esse erro ocorra em outra fase do negócio e isso signifique seu fim. Utilizar corretamente a metodologia, fará a diferença entre o sucesso e o fracasso da startup”, detalhou.
Desafio do financiamento
Apontada como uma das fases mais desafiadoras para quem investe em startups, especialmente no Nordeste, a falta de financiamento para o negócio pode deixar de fora do mercado ideias e soluções para grandes problemas. O empresário natalense André Moura reconhece a concentração de investidores em negócios presentes nos grandes centros do país, mas acredita que é possível transformar essa realidade. Ele é fundador da Poti Ventures, aceleradora de startups em estágio inicial localizadas no Nordeste. A empresa reúne quatro empresas tradicionais que se juntaram para investir em negócios locais.
“Um caminho para mudar essa realidade é a gente primeiramente mostrar valor. Mostrar que onde a gente estiver, a gente tem condições de criar uma empresa nacionalmente ou mundialmente famosa, independentemente de onde ela nasceu. Esse é o lado do empreendedor. Por outro lado, os investidores locais precisam ter a capacidade de ver que existem empreendedores relevantes localmente. E é isso que a gente tentou fazer com a Poti Ventures, para investir em negócios locais e diminuir o abismo que existe nos financiamentos de startups entre as outras regiões e o Nordeste”, explicou.
Ao falar sobre alternativas para financiamentos de startups, Moura ressaltou que o empreendedor precisa estar atento e conhecer as diferentes possibilidades de financiamentos para acelerar o negócio digital, a exemplo do investimento anjo, fundos de capital de risco, investimento corporativo e grupos de investimentos.
Cada um tem suas especificidades e são importantes em várias fases do negócio. Vai desde o investimento de uma pessoa física no negócio (investimento anjo) até aquele tipo de investimento que faz a junção do investimento anjo, mas dentro de grupos, como é o caso da Poti Ventures, que reuniu um grupo de empresas interessadas em investir em startups e criou a estrutura responsável por olhar esses negócios. Fizemos uma salada mista para tentar resolver o problema que é trazer capital, investidor para o Nordeste, que é deficitário em relação a outras regiões do país em termos de capital de risco”, pontuou.
Conexão Mossoró x Califórnia
O Startup Day em Mossoró foi além-fronteira, e trouxe para os empreendedores locais a possibilidade de conhecer o caso de sucesso do natalense Pedro Moura, que mora na Califórnia (EUA) desde os 15 anos de idade e lá criou a Flourish, startup que licencia tecnologia para bancos, cooperativas e fintechs por meio da tecnologia de lealdade e engajamento.
Em quase cinco anos, o negócio levantou quase US$ 4 milhões de dólares em diferentes fontes de capital, é parceiro oficial da Mastercard e, no Brasil, mantém contratos com a Sicoob e com o Carrefour. Para alcançar êxito no negócio, o empresário aconselha:
“Tudo começa com a ideia. Depois, é importante buscar contato, informação, encontrar pessoas, mentores, investidores, construir redes. É preciso estar rodeado pelas pessoas que pensam semelhante e se conectar, fazer contatos, se expor e não ter medo de expor suas ideias. Participe de editais, competições de startups, isso fará com que entenda melhor do processo e conquiste financiadores, investidores que acreditem na sua ideia para solucionar problemas”.
Suporte
Para a analista técnica do Sebrae RN, Rafaella Rodrigues, iniciativas como o Startup Day são capazes de conectar pessoas e provocar mudanças transformadoras no comportamento empreendedor de quem tem o intuito de enveredar pelo ecossistema das startups.
“O Sebrae promove ações como estas no intuito de trazer pessoas que estão com essa mesma intenção e conectá-los. Para que vejam que é possível, que existe apoio, existem os caminhos para serem seguidos. Os negócios inovadores, que têm essa característica de inovação e tecnologia se concentram muito nas cidades-polo. Então, o intuito de trazer essa ação para Mossoró e cidades circunvizinhas é no sentido de mostrar que é possível termos negócios inovadores também no interior”, explicou. Esta foi a 9ª edição do Startup Day no Rio Grande do Norte e conectou mais de 1,5 mil participantes em torno da programação composta por palestras ministradas por especialistas de várias partes do país. Em Mossoró ,a mobilização aconteceu pela segunda vez.

“A metodologia mostra o passo a passo para que o empreendedor transforme uma ideia em realidade no prazo de cinco dias. Ela preza pelo foco no propósito, e tem como objetivo desenvolver o protótipo do negócio nesse período. Com o método, é possível errar rápido e corrigir o erro com rapidez. Você conseguirá identificar os erros durante a criação do protótipo, evitando que esse erro ocorra em outra fase do negócio e isso signifique seu fim. Utilizar corretamente a metodologia, fará a diferença entre o sucesso e o fracasso da startup”, detalhou.
“Um caminho para mudar essa realidade é a gente primeiramente mostrar valor. Mostrar que onde a gente estiver, a gente tem condições de criar uma empresa nacionalmente ou mundialmente famosa, independentemente de onde ela nasceu. Esse é o lado do empreendedor. Por outro lado, os investidores locais precisam ter a capacidade de ver que existem empreendedores relevantes localmente. E é isso que a gente tentou fazer com a Poti Ventures, para investir em negócios locais e diminuir o abismo que existe nos financiamentos de startups entre as outras regiões e o Nordeste”, explicou.