Com o objetivo de promover a inclusão socioeconômica de catadores de materiais recicláveis no Rio Grande do Norte, o Sebrae-RN lançou, nesta terça-feira (14), a edição 2026 do projeto Pró-Catadores. O evento reuniu gestores municipais, representantes de cooperativas e associações, integrantes do setor de reciclagem e parceiros públicos e privados.
O ponto alto da programação foi a assinatura dos termos de adesão entre o Sebrae e os prefeitos presentes, que passam a integrar a nova etapa da iniciativa, que teve sua primeira edição realizada em 2025.

Para 2026, o projeto prevê assessoria e consultoria técnica voltadas à gestão de resíduos sólidos nos municípios potiguares. A proposta é beneficiar 630 catadores — sendo 150 autônomos e integrantes de 40 organizações coletivas — além de envolver 45 prefeituras. A atuação inclui o fortalecimento de cooperativas e associações e a articulação com diferentes atores da cadeia da reciclagem.
Coordenado pelo Sebrae Nacional, o projeto teve seu piloto lançado em Natal, em 2025. Na primeira etapa, foram criadas 10 associações e uma cooperativa, além da elaboração de 19 minutas de leis municipais para regulamentação da coleta seletiva. As ações também contemplaram a estruturação técnica e jurídica das organizações, com consultorias em segurança do trabalho, implementação do Programa 5S e revisão do Plano Municipal de Assistência Social (PMAS).

Durante a abertura, o diretor técnico do Sebrae-RN, João Hélio Cavalcanti, destacou o potencial transformador da iniciativa. Segundo ele, o projeto contribui tanto para a melhoria das condições de vida dos catadores quanto para a sustentabilidade ambiental, apesar dos desafios culturais relacionados ao reconhecimento dos resíduos como fonte de trabalho e renda.
Representando o Movimento Nacional dos Catadores, Severino Júnior ressaltou a dimensão global da atividade e a importância do investimento em coleta seletiva. “Quando a prefeitura paga pelo aterro, está apenas gastando. Mas, quando investe em coleta seletiva, está fazendo um investimento social e econômico”, afirmou.
Já o presidente do SindRecicla-RN, Etelvino Patrício, destacou o papel estratégico dos catadores na cadeia produtiva. “O catador é a base de toda a cadeia da reciclagem. Em um cenário em que os municípios buscam alternativas para gerar renda, essa é uma oportunidade concreta de criação de empregos”, pontuou.

Uma das experiências de destaque apresentadas no evento foi a do município de Lagoa de Velhos, participante da primeira etapa do projeto Pró-Catadores, em 2025. O prefeito José Nildo Galdino compartilhou os resultados do projeto “Lagoa de Velhos Sustentável – Lixo Zero”, com a criação da moeda socioambiental “Fabião”, que incentiva a população a trocar materiais recicláveis por produtos na Ecoloja Maria Carolina de Jesus, promovendo geração de renda, cidadania e consciência ambiental.
A programação contou ainda com a participação do Poder Judiciário, representado pela desembargadora Zeneide Bezerra, reforçando a articulação institucional em prol do fortalecimento da cadeia da reciclagem no estado.

