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Qualidade do café envolve cuidados na produção e atenção às preferências do consumidor

Palestras na Agência Sebrae na Festa do Boi 2026 abordaram práticas que influenciam a qualidade dos grãos e novas formas de avaliação sensorial da bebida
Por Especial Festa do Boi
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A qualidade do café é resultado de uma série de cuidados que começam ainda na produção e seguem até o preparo da bebida. Práticas de manejo, fermentação, secagem e armazenamento podem influenciar diretamente as características do produto final. O tema foi discutido nesta sexta-feira (16), durante a programação da Agência Sebrae na Festa do Boi 2026, que reuniu especialistas e produtores para debater caminhos para a valorização dos cafés brasileiros.

Na palestra “Qualidade do Café”, o consultor em qualidade de cafés e processos de pós-colheita Marcos Kim abordou a importância do acompanhamento das diferentes etapas da produção para preservar as características dos grãos e melhorar a qualidade da bebida.

Entre os pontos destacados estiveram a rastreabilidade, os cuidados no pós-colheita e o controle dos processos de fermentação. Segundo Marcos, essas práticas ajudam os produtores a compreender os fatores que interferem no resultado final e a identificar oportunidades de melhoria.

O consultor também ressaltou a importância da capacitação técnica para o desenvolvimento da atividade, especialmente entre pequenos produtores que buscam agregar valor à produção. Para ele, investir em equipamentos e processos não é suficiente sem preparar as pessoas envolvidas no trabalho.

“O que adianta você ter uma fazenda maravilhosa, tecnificada, se as pessoas não estão capacitadas, se não estão treinadas? As pessoas são de extrema importância. Por isso, a capacitação e o treinamento da equipe ou da família são de extrema importância”, destacou Marcos Kim.

O palestrante também apresentou possibilidades de inovação no pós-colheita, como diferentes métodos de fermentação e secagem. Ele explicou que inovar não significa necessariamente investir em equipamentos caros, mas também adotar práticas de manejo e organização que contribuam para melhorar a qualidade do café.

Qualidade também passa pela percepção do consumidor
Outra abordagem apresentada durante a programação foi a análise sensorial do café torrado. A especialista Camila Arcanjo apresentou o Protocolo Brasileiro de Análise Sensorial do Café Torrado, metodologia que considera as preferências dos consumidores na avaliação da bebida.

A proposta parte do entendimento de que características como acidez, amargor, doçura e aroma podem ser percebidas e valorizadas de maneiras diferentes por cada consumidor. Assim, a avaliação sensorial não se limita a estabelecer uma classificação de qualidade, mas também contribui para identificar diferentes perfis de consumo.

“Hoje a gente percebeu que o nosso consumidor não quer saber se é bom ou se é ruim. Ele quer saber se gosta ou não. O consumidor brasileiro quer ser respeitado pelas suas escolhas, independentemente de você concordar ou não com o gosto dele”, destacou Camila Arcanjo.

Durante a apresentação, a especialista explicou que o desenvolvimento do protocolo contou com a participação de mais de 700 consumidores de diferentes regiões do Brasil. A pesquisa buscou compreender como o público identifica características dos cafés e quais informações considera importantes na hora da compra.

Entre os atributos apontados estão os níveis de acidez, amargor e doçura, além dos aromas presentes na bebida. Segundo Camila, comunicar essas características permite que o consumidor escolha um café mais próximo de suas preferências, sem que um determinado perfil seja necessariamente considerado melhor que outro.

A metodologia também considera a avaliação da bebida preparada, aproximando a análise sensorial da experiência real de consumo. Dessa forma, o protocolo contribui para orientar a comunicação das características dos cafés e ampliar as possibilidades de escolha no mercado.

As discussões integraram a programação dedicada à cafeicultura na Agência Sebrae na Festa do Boi 2026. As atividades também abordaram os resultados e perspectivas do Projeto Cafés do RN e iniciativas voltadas à valorização da produção regional.

Realizada no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim, a Festa do Boi 2026 segue até este sábado (17).

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