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Artesãos aprendem a valorizar peças com técnicas fotográficas com foco nas vendas

Trinta artesãos e bordadeiras do Rio Grande do Norte participaram de oficinas gratuitas para criação de vídeos e fotos profissionais. A iniciativa foi do Sebrae, Riachuelo e Smartverso
Por Redação
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Durante curso, artesãos aprendem a capturar imagens atentando para luz e coloração para destacar peças. Foto: Divulgação Pref. S. Gonçalo do Amarante

Natal – Muita habilidade com as mãos, mas pouco domínio das novas tecnologias. Essa ainda é uma realidade para grande parte dos artesãos, que detêm o domínio completo de manualidades ancestrais e muitas vezes pecam na hora de fotografar as peças para expô-las nas redes sociais. O artesão Wellington Magno, conhecido em São Gonçalo do Amarante como ‘Pequeno’, era um dos que lidavam com esse entrave. Há 17 anos, trabalha com a mão na argila e a moldando até ganhar formas vistosas, em vasos e outros utensílios. Porém, até então, não entendia o porquê de as postagens das peças não terem grande repercussão nem gerarem o engajamento desejado.

“Nunca liguei muito para bater uma foto legal ou fazer aqueles videozinhos. Após aprender a técnica, fiz uma foto de um vaso meu, revestido de palha, e postei na rede social. Teve uma repercussão de imediato. Nunca havia acontecido isso”, revela Wellignton Magno.

Wellington Magno percebeu o potencial de uma foto bem produzida para atrair compradores (Fotos: Agência Sebrae

As técnicas de ambientar a peça e levar um conceito para a fotografia, com luz e enquadramento ideais, podem significar agregar valor ao produto artesanal e, sobretudo, aumentar as vendas pela internet. O feito obtido por Wellington Magno só foi possível após participar de curso de criação de fotos e vídeos profissionais com smartphone.

A capacitação foi o oferecida gratuitamente a 30 artesãos, sendo metade de São Gonçalo do Amarante e a outra metade, bordadeiras do Seridó, resultado de uma parceria entre o Sebrae no Rio Grande do Norte, Instituto Riachuelo e Smartverso.co, uma academia de São Paulo que oferta cursos para produção de conteúdos smart. A capacitação direcionada especificamente para esses artesãos ocorreu em Caicó, no dia 7, e em Natal, na última segunda-feira (12). Durante as atividades práticas, os artesãos aprenderam mais sobre como capturar imagens com conceito artístico, técnicas de iluminação foco e enquadramento, além de entender a importância da decupagem, edição e finalização da fotografia ou vídeo.

A ideia inicial da estruturação das oficinas foi da publicitária Leila Oliveira, diretora da produtora Histórias Visuais, que, ao conhecer de perto o trabalho das bordadeiras do Seridó, logo identificou deficiência na divulgação das peças em redes, como Instagram. “Passamos algumas semanas na região e eu fiquei encantada com trabalho manual que elas [as bordadeiras] fazem com tanta arte e me perguntava como vendiam as peças. Ao verificar as redes sociais delas, vi que aquela foto ou aquele vídeo não valorizava tanto o produto desenvolvido”. Da percepção, surgiu a proposta de ensaiar as técnicas para 15 bordadeiras do Seridó e também para 15 artesãos da região metropolitana de Natal, ideia prontamente assentida pelo Sebrae e o Instituto Riachuelo, que já desenvolvem uma atuação conjunta com esses grupos produtivos.

Um olhar para vendas

A publicitária Leila Oliveira, diretora da produtora Histórias Visuais, encantou-se pelos bordados e teve a ideia de estruturar o curso

A Smartverso é uma academia de ensino, que fica localizada em São Paulo, e busca profissionalizar as pessoas a melhorarem a produção de foto e vídeo com smartphone. “Todos os nossos cursos são presenciais justamente para ter essa dinâmica da prática, que é uma das partes do cronograma. Assim, os alunos já praticarem com aquilo que trabalham. Nas oficinas realizadas no Rio Grande do Norte, usamos a mesma metodologia que ministramos em São Paulo, usando o próprio local como ambiente para exercitar a fotografia na prática”, explica Leila Oliveira.

Juntamente com dois outros instrutores, a publicitária ensinou os participantes a apurar o olhar e usar tecnologias presentes no smartphone para capturar as imagens. “Mostramos como é possível criar ou buscar novos cenários para produção de uma foto ou uma produção de um vídeo antes de simplesmente postar. Não basta apenas abrir a câmera, mas pensar num conceito de como aquele produto vai ser fotografado, pensando na luz e na coloração, assim como no enquadramento. As linhas de grades são ferramentas que estão ali na câmera e ajudam no enquadramento para o foco no produto”, ensina.

Imagem com mais valor

Fotos produzidas durante o curso prático

O armazenamento das fotos é outro item a ser considerado. Organizar as fotos em pastas para cada tipo de peça é uma estratégia para eliminar as que não serão utilizadas e aliviar espaço na memória do celular. Leila Oliveira explica que é importante fotografar inserindo a peça no contexto em que o cliente vai usá-la.

“As imagens são fundamentais na hora da venda digital. É possível passar um sentimento através da fotografia e dar uma dinâmica por meio do vídeo. Se isso for aplicado aos produtos artesanais, uma imagem pode se converter em venda concreta”, diz Leila Oliveira.

Participantes da oficina realizada em Natal

Para a coordenadora de projetos do Instituto Riachuelo, Renata Fonseca, a capacitação teve como objetivo final estimular os artesãos a agregar valor ao que é confeccionado e apresentado aos potenciais clientes no ambiente virtual. “Idealizamos essa capacitação gratuita para esses artesãos, pois desejamos que o mercado possa valorizar ainda mais o produto deles. São peças incríveis, trabalhos lindíssimos, que muitas vezes não são bem apresentados. Com a técnica da história visual, eles, com apenas um simples celular, podem potencializar seus produtos fazendo com que agregue valor às mercadorias confeccionadas”, conclui Renata, elogiando o êxito da parceria com o Sebrae, que apoia grupos de artesãos inseridos no contexto da economia criativa.