Quarto maior produtor de umbu-cajá do Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rio Grande do Norte tem potencial para ampliar a produção da fruta e conquistar ainda mais protagonismo no cenário nacional. Para especialistas que pesquisam o cultivo, esse salto de produtividade passa pela adoção de estratégias, que incluem desde maior articulação entre os atores da cadeia produtiva até o avanço em tecnologias voltadas ao manejo e à colheita.
Esses caminhos começaram a ser discutidos na abertura do II Simpósio Nordestino de Umbu-cajá, realizada na última quarta-feira (11), no Campus Avançado da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), em Assú. Com programação científica até sexta-feira (13), o evento reúne pesquisadores, produtores e representantes de instituições públicas e privadas para debater soluções que fortaleçam a cultura do umbu-cajá no semiárido. A iniciativa conta com o apoio do Sebrae no Rio Grande do Norte.
Entre os participantes, está o pesquisador Joacir Rufino, estudioso da temática do umbu e um dos autores do artigo “A geografia do umbu e sua importância no semiárido brasileiro”. Na palestra inaugural do simpósio, ele destacou a importância da articulação entre os diferentes atores do setor para impulsionar o desenvolvimento da cultura. “A reviravolta da produção potiguar de umbu-cajá depende de articulação e da união entre os diferentes atores da cadeia produtiva. É com o fortalecimento dessa rede, apoiada pela ciência, que conseguiremos ampliar e valorizar essa cultura tão característica do bioma Caatinga”, afirmou.
Desafios
De acordo com dados mais recentes do IBGE, com produção de 623 toneladas, o Rio Grande do Norte fica atrás apenas da Bahia, maior produtora do país, com 5.831 toneladas; do semiárido de Minas Gerais (5.655 toneladas), e da Paraíba, que registra produção de 2.302 toneladas.
Apesar do potencial para crescimento no estado, o pesquisador Francisco Xavier, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Frutas Tropicais, ressalta que ainda é necessário avançar em soluções tecnológicas e pesquisas voltadas ao cultivo da fruta.
Francisco Xavier, pesquisador Embrapa. Foto: Sandra Monteiro “Ainda falta ampliar o acesso à tecnologia, à pesquisa e à adoção de técnicas que melhorem o manejo e a colheita, permitindo maior produtividade e melhor aproveitamento dos frutos. Esses são gargalos que precisam ser superados para fortalecer a cadeia produtiva”, avalia.
Inclusão dos pequenos
Ao longo dos três dias, o II Simpósio Nordestino de Umbu-cajá reúne pesquisadores, instituições e produtores interessados em fortalecer a cadeia produtiva do umbu-cajá no semiárido nordestino. Gestor do projeto de fruticultura do Sebrae RN, Franco Marinho diz que umbu-cajá é uma fruta típica do semiárido nordestino, resultado do cruzamento natural entre o umbu e o cajá, bastante utilizada na produção de polpas, sucos e doces. E o evento, segundo ele, é mais uma oportunidade para pequenos produtores.
“Hoje já existem tecnologias e ações de extensão que permitem produzir de forma mais organizada e agregar valor à cadeia do umbu-cajá. E essa é mais uma oportunidade para ampliar o acesso ao conhecimento. O simpósio também é importante para dar visibilidade ao Vale do Açu como principal região produtora da fruta no Rio Grande do Norte”, afirmou.
A programação inclui debates sobre fruticultura sustentável e agricultura familiar; tecnologias de produção e clonagem da umbu-cajazeira; implantação de bancos de germoplasma e produção de mudas, além do potencial econômico, farmacológico e cosmético do umbu-cajá. Também haverá discussões sobre inovação e agregação de valor, com destaque para o uso da fruta na produção de bebidas funcionais e no desenvolvimento da bioeconomia regional.
Realização do Departamento de Economia do Campus Avançado da UERN em Assú, o evento também engloba a I Feira Nacional das Spondias, espaço voltado à exposição de produtos, troca de experiências e valorização das espécies do gênero, que inclui frutas tradicionais do semiárido como o umbu, o cajá e o umbu-cajá.


