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Terceira onda do consumo de cafés abre espaço para novos negócios

Para jornalista e apresentadora Paula Varejão, a microtorrefação, os cafés especiais, os clubes de cafés e até o sistema de delivery dão possibilidade para se explorar novos negócios envolvendo a segunda bebida mais consumida no mundo
Por Cleonildo Mello
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Natal – Apesar de as cafeterias e estabelecimentos que ofertam bebidas à base de café terem se multiplicado Brasil afora, esse nicho ainda pode ser melhor explorado por empreendedores. A chamada terceira onda do consumo de café abre um leque de possibilidades para novos negócios, onde o consumidor possa vivenciar uma experiência única ao degustar o resultado de grãos especiais, com aromas e sabores diferenciados, em vez de simplesmente tomar uma xícara da segunda bebida mais consumida no mundo, depois da água. Casas especializadas, serviços que facilitam essa imersão gustativa ou mesmo cafeterias focadas em harmonização e preparo de bebida à base de grãos selecionados, torrados e moídos de forma diferenciada podem significar um investimento promissor.

A avaliação é da jornalista capixaba Paula Varejão, que ficou famosa por apresentar o programa ‘Tá na Hora do Café’, veiculado pelo canal Mais, da Globosat. À frente do programa televisivo, a apresentadora teve a oportunidade de unir a paixão pelo café com o turismo e o entretenimento, o que a tornou uma celebridade e referência quando o assunto é o produto final desse fruto avermelhado, que tem a cara do Brasil, mesmo sendo originário do continente africano. Hoje, o Brasil é o maior produtor, exportador e também consumidor do produto no mundo. Paula Varejão foi uma das palestrantes convidadas da Agência Sebrae Festa do Boi nesta quarta-feira (17) para falar sobre a bebida e as oportunidades que podem ser exploradas a partir do consumo de bons cafés.

Paula Varejão aborda o assunto com muita propriedade, pois conheceu mais de 20 cidades – entre elas Melbourne, Sydney, Londres, Amsterdã, Berlim, Nova York, Seattle e Portland – de oito países, o que permitiu o contato direto com as tendências mais modernas de consumo de café no planeta. Ela garante que essa terceira onda do café pode se tornar um filão para quem deseja apostar em um negócio diferenciado e com demanda garantida.

Percepções gustativas

Para aqueles que não conhecem bem a história desse tipo grão, é preciso saber que o café se popularizou muito, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, chegando ao auge por volta dos anos 1960. Até esse período, a bebida ficou mais acessível, o que cronologicamente se classificou como a primeira onda, marcada pela visão do café ainda como uma commodity.

Daí a até o início da década de 1990, houve um forte investimento em qualidade, e grandes companhias lançaram um olhar apurado sobre esse grão, passando a agregar valor ao produto, como foi o caso da gigante Starbucks, e criando assim cafeterias com espaços aconchegantes, dedicados à bebida e uma maior preocupação com todo o sistema produtivo e com o que era oferecido para os consumidores. Surgiram os baristas, que explicavam a origem e o processo de torragem para os clientes. Essa foi a segunda onda.

A terceira onda se confunde muito com a proposta de cafés especiais, de qualidade superior, depois dos anos 2000 principalmente. Porém, essa fase vai um pouco além. Tomar e apreciar um bom café torna-se uma viagem pelo mundo dos sabores e percepções gustativas, uma experiência assim como ocorre com o vinho.

O consumidor vira o centro das atenções e, para oferecer a melhor sensação a cada xícara, as cafeterias passaram a valorizar as notas, as excentricidades de produtos exclusivos, a história por trás de cada blend, a harmonização. Ou seja, ofertar um menu de cafés especiais fugiu mais de uma necessidade e se aproximou mais de um luxo, não necessariamente pelo valor em si, mas, sobretudo pela experiência única de tomar a bebida envolta em uma aura de requinte, bom gosto, conhecimento e sofisticação de paladar.

E é aí onde Paula Varejão vê uma infinidade de oportunidades de negócios lucrativos. “O brasileiro ainda conhece muito pouco sobre café, que segue os passos do vinho. É um caminho enorme a se explorar. Café não é tudo igual. Tem nuances de sabor. Dependendo de onde se plantar, terá características diferentes. Há uma oportunidade enorme de se explorar com novos negócios”, sugere a jornalista, ressaltando que 98% da população brasileira toma café.

Paula Varejão vê mercado para cafeterias especializadas no Rio Grande do Norte, apesar das já existentes, com o surgimento de novos estabelecimentos com a proposta de, por exemplo, explorar grãos de diferentes lugares e de apresentar experiências com diferentes métodos de preparo. “Mostrar para o cliente como um mesmo tipo de café muda de sabor conforme muda o método de preparo. Brincar com as histórias e sabores do café. Essa deve ser a pegada”, ensina.

Segundo Paula Varejão, há mercado para casas que oferecem um bom café por delivery ou mesmo cafeterias com clube de cafés ou com opções de microtorrefação. No entanto, a jornalista garante que a grande estrela precisa ser a matéria-prima: o café de qualidade especial, aquele café naturalmente doce sem a necessidade do acréscimo de açúcar. “É um caminho sem volta porque o paladar não regride. E as histórias por trás das xícaras estão sendo cada vez mais relevantes”, conclui.