Natal– A proximidade com o continente europeu, as manifestações culturais, a riqueza gastronômica e, sobretudo, os atrativos naturais, com belas e badaladas praias de águas mornas, colocam o Nordeste brasileiro como um dos principais polos indutores do turismo internacional no Brasil. Em 2019, antes da pandemia, a região recebeu 6,3 milhões de visitantes estrangeiros. No entanto, o número ainda mantém-se baixo se comparado a países sul-americanos vizinhos de área geográfica semelhante a dos nove estados nordestinos juntos. No período, a Argentina, por exemplo, atraiu 7,4 milhões de estrangeiros e o Chile cerca de 4 milhões de turistas internacionais mesmo com um clima temperado.
“O Nordeste deveria se tornar a porta de entrada daqueles turistas que vêm da Europa visitar o Brasil. A região tem por característica a hospitalidade do seu povo, uma cultura rica, que remete aos primórdios do descobrimento e período colonial, e uma gastronomia tão diversa quanto à produção associada e tipos humanos miscigenados. Esses são fatores preponderantes na escolha de um destino”, avalia o diretor técnico do Sebrae no Rio Grande do Norte, João Hélio Cavalcanti.
João Hélio participou das discussões e debates das audiências públicas sobre o turismo, realizadas durante as Mostras de Artesanato e de Gastronomia do Nordeste no Senado, que encerrou nesta quinta-feira (28), no Congresso Nacional, como parte do terceiro ciclo ‘A Internacionalização da Economia Criativa, da Gastronomia e do Turismo como Indutores do Desenvolvimento Regional’.
A iniciativa foi promovida pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional em parceria com o Sebrae para impulsionar a valorização das aptidões culinárias e atrativos turísticos de cada estado do Brasil para fortalecer a economia. Antes, o ciclo já havia colocado em evidência os potenciais dos estados das regiões Norte e Sudeste.
João Hélio foi um dos integrantes da comitiva do Rio Grande do Norte, assim como o presidente da Federação das Associações Comerciais do RN, empresário Itamar Manso Maciel, a participar da ação, realizada no Senado Federal desde a última terça-feira (26). Ao lado de outros oito estados, o Rio Grande do Norte levou uma coletânea de peças artesanais, selecionadas entre artesãos de várias regiões do estado, para compor a Mostra de Artesanato. O RN também colocou na Mostra de Gastronomia a degustação do camarão com castanha de caju e uma sobremesa que continha elementos do terroir potiguar, como o caju e mel de abelha de Jandaíra.
Essas mostras internacionais de Economia Criativa, Gastronomia e Turismo são apontadas como indutores do desenvolvimento regional e têm à frente a senadora do Tocantins, Kátia Abreu, presidente da Comissão Relações Exteriores, a principal entusiasta da ação. “O Nordeste é uma região rica e importante para os negócios na da própria região, que abriga 60 milhões de brasileiros. É importante sobretudo para os pequenos”, diz o diretor do Sebrae-RN.
Durante três dias, embaixadores, políticos e lideranças empresariais puderam conferir de perto o talento dos artesãos nordestinos e potiguares, além de saborear delícias, que são a cara de cada um dos estados das região, durante o evento. A mostra de artesanato foi montada no Anexo I do Senado, e a degustação gastronômica no Restaurante do Senado.
“Tivemos a oportunidade de mostrar um pouco da nossa economia ao Congresso Nacional. Apresentamos aos senadores o trabalho que faz o Sebrae no campo da economia criativa e artesanato. Pensamos também que foi um momento para dialogar e indicar como possamos apresentar o Nordeste para os outros países”, ressalta João Hélio.
Isso porque a senadora Kátia Abreu levará esses potenciais turísticos de cada região do Brasil a Europa, especialmente Portugal, com foco a internacionalização do turismo e produção associada, na qual se enquadram o artesanato e a gastronomia. Essa iniciativa visa conhecer bem para promover o Brasil em países que serão visitados oficialmente pela parlamentar, começando por Portugal. É uma grande oportunidade para o Nordeste e para a nossa produção associada ao turismo”.
Durante a audiência, foram expostas sugestões de melhorias para a promoção do destino de forma integrada, inclusive com ações conjuntas entre os estados, para que o destinos e as peças do Nordeste possam chegar a diversos países com uma identidade única.
Destaque RN
O que o Rio Grande do Norte apresentou nas duas mostras agradou os visitantes do evento no Senado Federal. Eles puderam conferir uma mostra da criatividade e versatilidade do artesão potiguar, com a exposição de utensílios com o DNA potiguar, como almofadas com bordados de Caicó, que conquistaram o selo de Indicação Geográfica (IG) e fibra de bananeira, utilitários em bordados, rendas e fibra de sisal, jarros de argila com fibra de coco e peças decorativas, como um cavalo esculpido na madeira de imburana e vasos feitos de argila. Todos produtos oriundos de artesãos apoiados pelo projeto de Economia Criativa do Sebrae-RN.
Durante a abertura, os vídeos das belezas do Rio Grande do Norte e dos seus polos turísticos chamaram muita atenção dos visitantes. “Eles paravam para apreciar os pratos, enquanto eram passadas as imagens do mar e dos atrativos de cada polo. As ostras da Pipa roubaram a cena”, comenta a analista da Unidade de Desenvolvimento Setorial do Sebrae-RN, Maézia Teodora, sobre as impressões.
Na avaliação de Maézia Teodora, a participação do RN foi positiva e de destaque. “Realmente, o que levamos fez sucesso. No caso da gastronomia, percebi as pessoas voltando para degustar novamente. Levamos o camarão ao creme de castanha e muitos voltavam para repetir. O salão decorado com as características e as cores nordestinas ficou lotado. Possibilitou também que os convidados, enquanto degustavam, interagissem com a cultura do Nordeste. Os chefs ficaram à disposição à sua mesa, falando sobre o prato e sobre os ingredientes”. No caso do RN, a chef foi Elisabeth Assunção, que integra a equipe do Senac-RN.
Para a analista, o evento foi muito importante para mostrar os materiais que o artesão utiliza como matéria prima para produção de suas manualidades, além da comida com ingredientes singulares. “Mostrar as potencialidades que existem em cada um dos estados nordestinos”, conclui.
