Mossoró – O desenvolvimento do semiárido passa pelo enfrentamento de desafios fundamentais à cadeia produtiva da região. Essas prioridades foram discutidas no segundo dia do Fórum de Desenvolvimento do Semiárido, nesta sexta-feira (4), em ciclo de debates na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró. As ideias serão sintetizadas para atualização do Plano de Desenvolvimento do Semiárido (PDS).
Entre elas, estão política de desenvolvimento regional; cultura de cooperação; aumento de produtividade; busca pela inovação; investimento em pesquisa; certificação de produtos; inteligência de dados e isenção dos produtores no ambiente digital. As propostas são parte das contribuições do Sebrae, apresentadas pelo articulador da Unidade de Gestão de Negócios Competitivos do Sebrae Ceará, Reginaldo Braga Lobo.
Um dos palestrantes do evento, ele considera esses eixos imprescindíveis para potencializar atividades, nas quais estados do semiárido aparecem entre os maiores produtores do Brasil, como fruticultura, leite, apicultura e caprinovinocultura. Braga também destaca aquicultura (camarão e tilápia), flores, hortaliças, biomassa e atividade não-rurais, mas que beneficiam o meio rural – turismo, artesanato e energia (eólica e solar).
“O semiárido é viável, sim”, assevera Braga, para ressalvar: “Mas não existe cadeia produtiva promissora sem inovação. A inovação impacta na produtividade e na competividade”. Ele defende formulação de políticas, que visem o futuro. “Temos modelos de negócios baseados no passado, como a cajucultura. Temos que olhar para frente, com pesquisa e produtores organizados, para aproveitar novas oportunidades”, frisa.
AgroNordeste
É com foco no futuro que o Sebrae atua no suporte aos pequenos negócios do semiárido, através do Programa AgroNordeste. Também presente ao Fórum, a coordenadora do AgroNordeste do Sebrae Nacional, Nilma Costa, diz que os 13 eixos temáticos do evento estão conectados com o programa, como agronegócio, energia, turismo, inovação e tecnologia. Apesar da pandemia de Covid-19, ela considera positiva a iniciativa 2020.
“No primeiro ano do AgroNordeste, destaco como positivo o avanço da transformação digital no campo. Claro que o presencial ainda é importante, mas conseguimos reavaliar a forma de levar informação ao produtor para que ele aplique essa informação na sua propriedade. A transformação digital vem se somar aos esforços na informação ao produtor”, avalia.
O segundo dia do Fórum de Desenvolvimento do Semiárido contou com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes. Ele reiterou compromisso para instalação do Parque Tecnológico do Semiárido na Ufersa, conforme protocolo de intenções já assinado. “O Ministério dará prosseguimento às ideias aqui discutidas, porque o semiárido está pronto para uma nova era. Vamos usar a ciência e a tecnologia para mudar a realidade das pessoas”, assegurou.
Aberto ontem (3) pelo vice-presidente Hamilton Mourão, o Fórum de Desenvolvimento do Semiárido tem como tema “É hora de agir! Oportunidades e investimentos”. É realizado pela Frente Parlamentar Mista em Prol do Semiárido e o Instituto Sagres, com apoio do Sebrae e outras organizações. As propostas debatidas no evento farão parte de amplo programa de oportunidades de investimentos para o semiárido brasileiro. Reúne especialistas dos meios público e privado e do terceiro setor.
Paralelo ao Fórum, acontece até amanhã (5), na Estação das Artes Elizeu Ventania, a Feira Nacional do Semiárido, com showroom aberto ao público em exposição de estandes. O Sebrae RN participa da feira com sete estandes, nos quais apresenta casos de sucesso de pequenos negócios do semiárido. O evento é aberto ao público, com respeito às normas de biossegurança em razão da pandemia de Covid-19.
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