ASN RN Atualização
Compartilhe

Regularização de salinas artesanais impulsiona produção de sal na Costa Branca

Fruto de projeto do Sebrae, entrega de 50 licenças ambientais em Grossos marca nova etapa de fortalecimento econômico e sustentável da atividade salineira
Por Redação
ASN RN Atualização
Compartilhe

Atividade tradicional da região da Costa Branca Potiguar, a produção de sal ganha novo impulso, com a concessão de licenças ambientais a salineiros artesanais do município de Grossos, distante 330km de Natal. A entrega dos documentos, que legalizam a operação das salinas, ocorreu nesta quarta-feira (5), em cerimônia na Câmara Municipal. O ato marca nova fase no fortalecimento econômico e sustentável da atividade. Ao todo, 50 produtores receberam as licenças ambientais nessa etapa.

Além dos 50 produtores contemplados no momento, outros 62 salineiros já foram beneficiados pela iniciativa ao longo de 2025, totalizando 112 licenças concedidas no município. A iniciativa é resultado de projeto desenvolvido pelo Sebrae/RN, com foco na regularização das salinas artesanais do município – únicas na América do Sul nessa categoria.

A atuação da instituição com os salineiros de Grossos começou em 2024, com a implementação de projeto estruturado, que contempla consultorias especializadas e subsídio de 70% dos custos do licenciamento ambiental.

A entrega das licenças consolida esforço conjunto para fortalecer uma das atividades mais emblemáticas da Costa Branca Potiguar, promovendo segurança jurídica aos produtores, estímulo à competitividade e geração de renda de forma sustentável.

Visibilidade

Analista técnico do Sebrae RN, Lecy Gadelha enaltece a importância das salinas artesanais para a economia local e regional. Ele destaca ainda os impactos positivos que os empreendimentos podem causar no setor do turismo.

“Temos aqui únicas salinas artesanais da América do Sul, e precisamos dar visibilidade a essa atividade. A regularização chega para ajudar, no sentido de tornar a atividade legalizada, e permitir ao salineiro não só a possibilidade de produzir sal, mas também explorar as salinas turisticamente. Estamos valorizando uma atividade secular, com grande potencial econômico para Grossos e para o estado”, pontua.

Jean de Sousa, produtor da região, fez parte do grupo que recebeu as licenças. Foto: Sandra Monteiro

Em Grossos, a produção de sal atravessa gerações. Jean Isaías de Sousa atua na atividade há mais de 20 anos e comanda uma salina herdada do pai. De posse da licença ambiental, o produtor avalia que o licenciamento trará mais tranquilidade e segurança jurídica à operação. “Estou muito satisfeito com essa conquista. Agora estamos assegurados, sem medo de ser multados e produzindo de forma regular. Foi um trabalho muito importante que vai trazer muitos benefícios para todos nós produtores”, explica.

Presente à cerimônia de entrega das licenças ambientais, a prefeita de Grossos, Cínthia Sonale, celebrou as parcerias firmadas em prol do fortalecimento da atividade salineira no município. “A história de Grossos está ligada à produção de sal. Praticamente todas as famílias aqui têm alguma ligação com o sal e, como gestora, fico muito feliz por contar com parcerias que chegam para tornar essa atividade econômica ainda mais forte e beneficiar tantos pais e mães de família com a regularização das salinas artesanais”, frisou.

Lecy Gadelha (camisa manga longa) acompanhou grupo na solenidade. Foto: Cedida

-

-

-

-

-

-

A iniciativa conta ainda com parceria do Governo do Estado, por meio do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (Idema), responsável pela isenção de taxas, além do apoio da gestão municipal, que realizou as publicações oficiais e disponibilizou placas de identificação para as salinas licenciadas.

Outras ações

Para impulsionar a salinicultura, o trabalho do Sebrae vai além da regularização ambiental. A instituição também atua na formalização dos empreendimentos e acesso a mercado. Para isso, promove consultorias para criação de rótulos, desenvolvimento de embalagens e estratégias de posicionamento comercial, agregando valor à produção artesanal.

O grupo assistido pelo Sebrae, além da produção primária de sal marinho, também investe na extração da flor de sal, produto nobre formado por delicados cristais colhidos manualmente na superfície das salinas. De alto valor comercial, a flor de sal apresenta diferencial competitivo e amplia as oportunidades de inserção em mercados mais exigentes.

  • Indústria salineira
  • Salinas