Uma visita técnica ao Laboleite, laboratório de qualidade do leite da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), reuniu queijeiros artesanais das regiões do Seridó e da Serra de Santana para uma manhã de aprendizado sobre qualidade da matéria-prima e boas práticas na produção do queijo manteiga. A atividade foi promovida com apoio do Sebrae-RN, na última terça-feira (10), e integra o projeto de caracterização do queijo manteiga produzido de forma tradicional no Seridó potiguar.
Programação
Durante a programação, os produtores conheceram o funcionamento do laboratório e a importância das análises periódicas do leite. A atividade também destacou a relevância da coleta correta de amostras e do monitoramento contínuo da matéria-prima utilizada na produção artesanal.
“Essa aproximação dos produtores com o Laboleite é fundamental para qualificar ainda mais os produtos lácteos do nosso RN. Quando o queijeiro entende o papel das análises laboratoriais e do monitoramento da matéria-prima, ele ganha segurança para produzir, atender à legislação e acessar mercados mais exigentes, sem perder a identidade e a tradição”, comentou Kessiany Souza, analista técnica do Sebrae-RN no Seridó.
Na abertura do encontro, o diretor do laboratório, professor Adriano Rangel, apresentou resultados de uma pesquisa sobre a caracterização do queijo manteiga produzido de forma tradicional. O estudo mapeou produtores em 78 municípios e identificou desafios enfrentados na produção, além de apontar caminhos para aprimorar a qualidade do produto.
“Não tem como produzir queijo sem leite, e o leite precisa ter qualidade. A análise contínua dá segurança alimentar e permite que o produtor faça ajustes que impactam diretamente na produção e consequentemente na renda”, explicou o professor. Segundo ele, o monitoramento também ajuda a prevenir adulterações e a proteger um patrimônio cultural e produtivo do estado.
O gestor da área de pecuária do Sebrae-RN, Luís Felipe, destacou que a visita técnica também tem o papel de aproximar os produtores das tecnologias disponíveis para garantir qualidade e segurança alimentar. “É muito importante que os produtores não apenas enviem os produtos para análise, mas também conheçam as instalações do laboratório e a tecnologia envolvida nesse trabalho. Isso contribui para um processo de conscientização e acompanhamento das queijeiras, permitindo que se adequem às exigências do mercado e da legislação, mantendo a qualidade de um produto que hoje já é referência no Brasil. São produtos de alto valor agregado e que seguem boas práticas agropecuárias, com potencial para conquistar cada vez mais o mercado nacional”, afirmou. Segundo ele, “iniciativas como essa também demonstram uma mudança de mentalidade dos produtores”, completou.
Valor econômico e social
Além de representar tradição gastronômica, o queijo artesanal possui grande relevância econômica e social para o interior do Rio Grande do Norte. A atividade agrega valor à produção da agricultura familiar, gera empregos locais e contribui para manter os produtores no campo.
Para Natália Costa, da Queijeira Antônio Cipriano, localizada no sítio Cachos, em São João do Sabugi, a visita ao laboratório reforça a confiança no produto que chega à mesa do consumidor. A queijeira funciona desde 1950. “É um momento muito importante para a gente saber sobre a análise do leite e o queijo que estamos produzindo. Isso nos dá segurança de que estamos oferecendo um produto de qualidade ao consumidor final”, destacou.
O produtor Zacarias Fernandes, da Queijeira do Zaca, também recebeu certificação pelos envios de amostras ao laboratório e ressaltou a importância da iniciativa para o fortalecimento do setor.
Foto: Adeilton Silva “É uma honra receber esse certificado do Laboleite. Esse projeto é muito importante para a economia do estado e para que a gente saiba como está o nosso leite e o nosso produto”, afirmou. Segundo ele, o apoio do Sebrae tem sido decisivo para a valorização do queijo artesanal potiguar. “Com esse apoio, conseguimos mostrar nosso produto não só no Brasil, mas para o mundo. Participamos de concursos, ganhamos medalhas e hoje temos um produto muito mais valorizado”, relatou.
Zacarias também destacou que o trabalho coletivo dos produtores busca avançar em um objetivo maior: o reconhecimento do queijo manteiga do Seridó por meio da indicação geográfica. “Esse projeto é muito importante para alcançar sonhos como a identificação geográfica do queijo manteiga do Seridó. O Sebrae sempre esteve ao nosso lado nessa caminhada”, concluiu.
A iniciativa é fruto de uma parceria entre a UFRN, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Governo do Estado por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Norte (Emater-RN) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn).

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