São José do Seridó – O município de São José do Seridó está no semiárido potiguar e possui hoje uma população estimada de 4.634 habitantes, segundo dados do IBGE. Sua economia se baseia principalmente na indústria têxtil, com as oficinas de costura impulsionadas pelo Pró-Sertão. São José do Seridó também é o município com menor vulnerabilidade social do Rio Grande do Norte e o 15° do Nordeste com esse índice.
Uma comitiva de empresários conferiu de perto, nesta quarta-feira (29), o sucesso do Pró-Sertão em São José do Seridó, especificamente a unidade de costura da Caatinga Grande, na zona rural. Estiveram presentes o diretor superintendente do Sebrae-RN, José Ferreira de Melo Neto, o secretário nacional do Trabalho e da Previdência, Rogério Marinho, o presidente da FIERN, Amaro Sales, e o empresário André Street, cofundador da Stone, startup de processamento de cartões, que está visitando o Rio Grande do Norte e conhecendo experiências exitosas de empreendedorismo.
O secretário de Assistência Social do município, Francisco Touché, destacou que o impacto do Pró-Sertão em São José do Seridó foram crescentes. “É hoje o município do RN que menos precisa de bolsa família. Reduzimos pela metade o número de famílias dependentes do benefício, graças a geração de emprego. A inclusão produtiva é transformadora”, enfatizou Touché, citando a importância do Sistema S para estruturar a cadeia produtiva local.
O diretor do Sebrae-RN lembrou que o Sebrae apoia as oficinas de costura desde antes do Pró-Sertão e participou diretamente da gestação e execução do projeto de interiorização da indústria. “O Sebrae atua com a consultoria técnica, estimula o empreendedorismo, apoia na gestão, certificação e acesso a mercado”, explica Melo.
O Pró-Sertão representa hoje 3.720 empregos diretos gerados no Rio Grande do Norte, com 124 oficinas de costura distribuídas por 46 municípios. Para a parceira Guararapes, por exemplo, são produzidas 574 mil peças de vestuário por mês. Em 2020, o Pró-Sertão já conta com 94 oficinas de costura certificadas pela ABVTEX – Associação Brasileira do Varejo Têxtil.
No ano passado o Sebrae investiu 4.000 horas de consultorias Sebraetec, seja para melhoria do processo produtivo, licenciamento ambiental, saúde e segurança e Certificação ABVTEX. O Sebrae também ofereceu consultorias em gestão empresarial e viabilizou missões empresariais na Galícia, Blumenau-SC (Febratex) e Fortaleza-CE (Maquintex).
Durante a visita da comitiva, o empresário Janúncio Nóbrega, presidente da Associação Seridoense de Confecções – ASCONF, observou que “as fábricas do Seridó produzem da moda íntima ao boné, além de peças de jeans, sarja e malha”.
Para o Secretário Especial da Previdência e do Trabalho do Governo Federal, Rogério Marinho, “não há programa social mais importante que o emprego”. Marinho foi um dos idealizadores do Pró-Sertão, quando foi secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte. Ele enfatizou que São José do Seridó é um exemplo de como a indústria têxtil possibilitou uma cadeia de acontecimentos econômicos e um ciclo virtuoso do desenvolvimento. “Percebe-se que a cidade agora tem supermercado, restaurantes, mais automóveis, pessoas investindo na faculdade dos filhos. Tudo, graças a geração de emprego com as oficinas de costura”, exemplifica Rogério.
Centro de Comercialização
O Secretário Especial da Previdência e do Trabalho anunciou ainda um aporte de R$ 10 milhões que será conveniado pelo Governo Federal com a prefeitura de Parelhas para a instalação de uma Central de Corte Têxtil, que possibilitará que os produtores locais também empreendam com marcas próprias. “Parelhas estabeleceu um polo industrial e geograficamente pode atender o conjunto de municípios com uma logística melhor”, explica o secretário.
Outra novidade anunciada por Rogério Marinho foi a consignação no orçamento desse ano de quase R$ 20 milhões para também viabilizar um Centro de Comercialização, que permita que pessoas de outros estados possam se abastecer das marcas do Seridó em uma central.
“O DNA do empreendedor está no Seridó. Uma região que tem os melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) e, paradoxalmente, os menores índices pluviométricos. Testemunhamos pessoas que sabem fazer uma silagem para conservar a vida do gado, uma compota, um artesanato, tem talento para a música e a cultura, pessoas que conseguem sobreviver com criatividade”, destaca Rogério.
Ele também pediu o apoio de André Street, que está conhecendo o Rio Grande do Norte, para sensibilizar parceiros nacionais. “André é o maior vendedor que podemos ter. Um empresário de 35 anos que tem relacionamento com todo mundo empresarial e que pode trazer a atenção de grandes investidores para o nosso Estado”, frisou o secretário do Trabalho e Previdência.
André Street, que trabalha com tecnologia e setor financeiro, explicou que o objetivo da sua visita ao estado é conhecer os potenciais e as várias iniciativas empreendedoras do RN e observar o setor produtivo por trás da cadeia. “Buscar entender, por exemplo, como empreendedores do semiárido conseguem coisas extraordinárias a partir da mentalidade empreendedora. Vou enviar uma carta a todos os meus clientes do setor têxtil dizendo que estive aqui e presenciei o trabalho de qualidade de vocês. Minha missão será sensibilizar para aumentar a carteira de clientes”, conclui o cofundador da Stone.
