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Mulheres transformam plástico em renda e reescrevem histórias na Zona Norte de Natal

Cooperativa EcoD’ellas reúne sete participantes em formação apoiada pelo Sebrae-RN para produção de móveis sustentáveis e inclusão produtiva
Por Redação
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Sete mulheres estão reconstruindo suas trajetórias por meio da reciclagem. Em fase de organização, a Cooperativa EcoD’ellas, localizada no conjunto Gramoré, na Zona Norte de Natal, reúne mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica que estão sendo capacitadas para transformar resíduos plásticos em móveis e outros produtos sustentáveis, criando novas oportunidades de trabalho e geração de renda. A iniciativa é apoiada pelo Sebrae-RN, em parceria com a ONG The Human Project (THP), por meio do projeto ZRO.

Desde fevereiro de 2026, as participantes recebem formação em técnicas de reciclagem, fabricação de móveis, gestão e empreendedorismo. As atividades são realizadas em uma oficina instalada no Centro Educacional Dom Bosco, parceiro da iniciativa.

Mesas, cadeiras, sousplats e outros produtos mostram o potencial da reciclagem como fonte de trabalho e renda.

Na produção dos móveis são utilizados plásticos de alta resistência, como baldes, bacias, garrafões de água, cadeiras e tampas de garrafas. O processo utiliza os materiais identificados como PEAD (2) e PP (5), separados durante a etapa de trituração por apresentarem maior durabilidade e qualidade para a fabricação dos produtos.

Entre as peças já desenvolvidas pela Cooperativa EcoD’ellas estão porta-xícaras e porta-canecas, com bases retangulares ou redondas e espaço para acomodar xícaras, pires e cafeteiras ou bules; prateleiras em diferentes formatos; pratos para bolo; mesas e cadeiras; mesinhas; e sousplats, que atualmente são o carro-chefe da produção da cooperativa.

A capacitação é conduzida pela The Human Project, organização parceira do Sebrae-RN, que já implantou oficinas semelhantes em outros estados. A unidade de Natal é a quinta oficina de transformação instalada no Brasil e integra as ações do Programa Pró-Catadores no Rio Grande do Norte, voltado à inclusão produtiva e ao fortalecimento da cadeia da reciclagem.

A iniciativa recebeu, nessa quinta-feira (30), a visita técnica de representantes do Sebrae Nacional e do Sebrae-RN. Participaram da agenda o gerente da Unidade de Políticas Públicas do Sebrae Nacional, Augusto Toni de Almeida Abreu; o diretor técnico do Sebrae-RN, João Hélio Cavalcanti; a gerente da Unidade de Negócios de Impacto do Sebrae-RN, Mona Nóbrega; a gerente da Unidade de Políticas Públicas do Sebrae-RN, Cátia Lopes; além da equipe técnica das instituições. A visita teve como objetivo acompanhar o desenvolvimento da cooperativa e os resultados da capacitação das participantes.

Segundo Mona Nóbrega, gerente de Negócios de Impacto do Sebrae-RN, a iniciativa nasceu após a equipe da instituição conhecer o Programa Pró -Catadores durante o Conexão ODS, evento realizado no ano passado em Natal. A partir dessa experiência, foram firmadas parcerias com o Centro Educacional Dom Bosco e com o CRAS da região para identificar mulheres interessadas em participar do projeto.

Outro diferencial da iniciativa é a metodologia de formação. As novas turmas são capacitadas por mulheres que já passaram pela experiência, fortalecendo a troca de conhecimentos e o protagonismo feminino. As máquinas utilizadas na oficina foram desenvolvidas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e possuem tecnologia aberta, permitindo sua reprodução sem patente.

Christiane Pessoa, presidente da Cooperativa EcoD’ellas.

Presidente da Cooperativa EcoD’ellas, Christiane Pessoa conta que conheceu o projeto após receber um convite do CRAS para participar de um curso de empreendedorismo. Apesar da insegurança inicial, decidiu conhecer a proposta e encontrou uma oportunidade para ampliar seus horizontes.

“Eu cheguei sem saber exatamente do que se tratava, mas logo percebi o potencial do projeto. Como já trabalhava com artesanato, enxerguei uma oportunidade de aprender uma nova atividade e desenvolver novas ideias. Hoje estou muito feliz por fazer parte dessa iniciativa”, relata.

A mudança também é comemorada por Francinete Nascimento, de 37 anos. Antes diarista e sem nunca ter tido um emprego formal, ela afirma que encontrou na cooperativa uma nova perspectiva de futuro.

“Passei três anos dedicada aos cuidados da casa e dos meus filhos. Quando surgiu essa oportunidade, foi como uma luz no fim do túnel. Sempre gostei de trabalhos manuais e de colocar a mão na massa. Hoje me vejo crescendo junto com a cooperativa e acredito que todas nós já enxergamos esse projeto como uma empresa, com potencial para gerar renda e transformar vidas”, afirma.

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