Natal – Quando o cenário econômico fica adverso e as vendas retraem, o caminho natural é o empreendedor pensar em um financiamento para assegurar a continuidade das operações, funcionamento da empresa e evitar cortes. Somente nos dois primeiros meses de 2021, apenas 44% dos empreendedores do Rio Grande do Norte que tentaram obter crédito tiveram êxito, segundo levantamento feito pelo Sebrae e Fundação Getúlio Vargas (FGV). Para especialistas, ter uma orientação prévia faz a diferença, ajuda na obtenção do recurso e evita cair na cilada do endividamento.
“O empresário precisa ter um planejamento e saber o objetivo e quanto vai pegar emprestado. Ter ciência de onde esse recurso será aplicado, seja capital de giro, investimento fixo. Tudo isso deve estar bem claro porque o banco vai precisar dessas informações antes de liberar o crédito”, alerta Ruth Suzana Maia, analista do Sebrae no Rio Grande do Norte e especialista em crédito. Segundo ela, o futuro da empresa depende de uma boa administração financeira. E, no momento em que o empreendedor precisar de crédito, é importante saber quais procedimentos e cuidados tomar na hora de buscar um financiamento.
Por isso, a palavra de ordem é orientação. Uma assessoria na área financeira pode ser um diferencial, pois fará com que o empresário possa entender quais são os principais fatores avaliados pelos agentes financeiros para analisar a capacidade de pagamento da empresa e os documentos exigidos para realização de uma operação financeira para conseguir um empréstimo.
Ruth Maia destaca um ponto importante: avaliar o cronograma de pagamento com a disponibilidade de dinheiro em caixa com o objetivo de evitar empréstimos e déficits, processo que pode começar por meio do controle de fluxo de caixa, levando em conta os prazos de fornecedores e de pagamento das parcelas do futuro empréstimo, por exemplo.
Atendimento e consultorias
Independentemente do ramo em que atua, o empresário deve saber as características das linhas de crédito disponíveis, atentando para a instituição escolhida, os riscos, as vantagens e o tipo de produto financeiro que oferece mais benefícios, carência e taxas de juros menores.
No ano passado, pouco antes da aprovação do Pronampe, o Sebrae sondou a quantidade de empresas que estavam com dificuldades de obter os recursos para amenizar os efeitos do fechamento das atividade durante a pandemia no Rio Grande do Norte. Somente 24% dos pequenos negócios pesquisados e que buscaram um agente financeiro conseguiram o dinheiro. A grande maioria não teve o pedido aceito.
Para ajudar nessa tarefa, o Sebrae disponibiliza em seus escritórios regionais, tanto o Metropolitano, que funciona na sede da instituição, em Natal, quanto em cidades do interior, atendimento gratuito com orientação para o crédito. “Para sanar esses questionamentos, a gente orienta para que o empresário tenha no mínimo um plano de negócio básico. Isso faz com que ele chegue ao banco com uma proposta mais consistente”, alega Ruth Maia. Em 12 meses, as equipes do Sebrae prestaram mais de 8,7 mil atendimentos com essa finalidade demandados por 3.674 pequenos negócios que são atendidos pela instituição no estado.
Além desses atendimentos regulares, o Sebrae também oferece consultorias especializadas nessa área, denominadas ‘Crédito Sob Controle’, com 20 horas de atendimento. A vantagem é que são subsidiados 70% do valor do serviço e somente o restante é arcado pela empresa. “Nessa consultoria, o empreendedor faz um levantamento completo dos indicadores financeiros, capacidade de pagamento, débitos com fornecedores e quanto pode comprometer do faturamento para quitar futuras dívidas com o banco. É uma maneira de buscar crédito de forma orientada”, indica a especialista.
