A gastronomia do Rio Grande do Norte também se fortalece a partir do encontro entre culturas. Em Natal, a trajetória do padeiro português Miguel Gimenes mostra como tradição, afeto e identidade local podem se transformar em novos produtos e oportunidades de mercado. À frente da padaria Doce Portugal, ele encontrou no selo Feito Potiguar a oportunidade de materializar um antigo desejo: criar sabores que homenageassem a capital potiguar e seus principais símbolos turísticos.
Padeiro desde os 16 anos, Miguel Gimenes iniciou a trajetória profissional em Portugal e acumulou experiências em países como Angola, Suíça, Espanha e Inglaterra antes de chegar a Natal. Após enfrentar dificuldades na empresa para a qual veio trabalhar, deu início à sua trajetória empreendedora e passou a produzir doces caseiros ao lado da esposa e sócia, Keylla Dantas. O que começou de forma artesanal evoluiu para a estruturação da Doce Portugal, que hoje conta com duas unidades localizadas em Ponta Negra.
-

-
“Desde que cheguei a Natal, planejava criar um produto que tivesse a identidade da cidade. Ao conhecer o Feito Potiguar, decidi que era o momento de tirar a ideia do papel”, conta Miguel Gimenes, da Doce Portugal.
-
Foi assim que nasceram os biscoitos Cajus de Pirangi e Areias de Ponta Negra, dois produtos que unem referências da confeitaria portuguesa a elementos marcantes do Rio Grande do Norte. Segundo Miguel, a proposta foi adaptar receitas tradicionais para criar uma conexão direta com a cultura e o imaginário potiguar.
“O Areias de Ponta Negra, por exemplo, é uma adaptação das Areias de Cascais, doce típico de uma praia famosa próxima a Lisboa. Já os Cajus de Pirangi adaptam o petit four de amêndoas: substituí o ingrediente original pelo caju e moldei o doce no formato da castanha. Assim, consegui homenagear dois dos pontos turísticos mais conhecidos da região”, explica.
A aceitação dos produtos, segundo ele, tem sido positiva, especialmente entre os turistas. “A aceitação tem sido muito boa. Os turistas estão comprando bem, e espero que esse se torne um produto conhecido também fora do estado”, afirma. Miguel adianta ainda que a Doce Portugal pretende lançar, ainda este ano, um novo produto à base de coco ralado. “Estamos finalizando os testes”, relata.
Para o empresário, receber o selo Feito Potiguar representa reconhecimento e pertencimento. “Para nós, receber o selo é motivo de muito orgulho. É o reconhecimento de todo o esforço diário, de um trabalho feito com dedicação e amor pela nossa terra. Como empresa potiguar, é uma honra contribuir para o crescimento do estado e ser reconhecido por isso. Apesar de eu ter nascido em Portugal, já me sinto potiguar de corpo e alma”, ressalta.
Além de participar do movimento Feito Potiguar, a empresa também tem recebido apoio por meio do projeto de Alimentos e Bebidas do Sebrae-RN, participando dos programas de panificação Inovapan e Panificação em Foco em 2025. O padeiro acrescenta ainda que, entre os próximos passos da empresa, estão o fortalecimento da marca e a ampliação da participação em feiras e eventos ligados ao Feito Potiguar.
Valorização da identidade regional impulsiona inovação
A valorização da identidade regional também tem estimulado a criação de novos produtos entre os pequenos negócios potiguares, avalia a gestora do Feito Potiguar e do setor de Alimentos e Bebidas do Sebrae-RN, Ana Carolina Ribeiro.
“No setor de alimentos e bebidas, esse movimento é muito forte, porque a identidade regional tem grande potencial para se transformar em produtos com diferenciação, autenticidade e valor agregado. Quando o empreendedor passa a enxergar o território, a cultura, os saberes locais e os ingredientes da região como diferenciais, ele fortalece o que já produz e também se sente provocado a inovar”, destaca.
Segundo ela, esse processo amplia as possibilidades de mercado e fortalece a competitividade dos pequenos negócios. “O impacto do movimento é muito positivo, porque ele contribui não apenas para a comercialização do que já existe, mas também para a capacidade de criar a partir da própria identidade. Quando valorizamos o que é nosso, também estimulamos inovação, competitividade e desenvolvimento para o estado”, afirma.

