O mercado de trabalho formal do Rio Grande do Norte voltou a dar sinais de desaceleração em junho de 2026. De acordo com o Boletim do Emprego elaborado pelo Sebrae/RN com base nos dados do Novo Caged, o estado encerrou o mês com saldo positivo de apenas 287 postos de trabalho, resultado da diferença entre 19.584 admissões e 19.297 desligamentos. Embora positivo, o desempenho representa o pior resultado para um mês de junho desde 2021 e confirma a trajetória de enfraquecimento da geração de empregos observada desde o último trimestre de 2025.

A perda de ritmo também aparece na comparação com os primeiros seis meses do ano. O saldo acumulado em 2026 chega a apenas 726 vagas, distante do registrado no mesmo período de 2025, quando o estado havia criado mais de 6 mil empregos formais, e muito abaixo do desempenho observado em 2024, quando o primeiro semestre ultrapassou a marca de 14 mil novos postos de trabalho. A série histórica apresentada no boletim evidencia que o resultado deste ano é o mais baixo para o período nos últimos cinco anos.
Entre os setores da economia, a Agropecuária liderou a geração de empregos em junho, impulsionada pelo início da safra do melão. Na sequência aparecem Comércio e Serviços, que também contribuíram para manter o saldo estadual no campo positivo. Em sentido contrário, Indústria e Construção encerraram o mês com fechamento de vagas, reduzindo o desempenho geral do mercado de trabalho potiguar.
Na análise das atividades econômicas, o cultivo de melão voltou a figurar entre os principais responsáveis pela abertura de vagas, ao lado de segmentos ligados ao comércio e aos serviços. Já os maiores saldos negativos ficaram concentrados em atividades da construção civil, serviços especializados e teleatendimento, refletindo a desaceleração desses segmentos ao longo do semestre.

Mesmo diante do cenário de retração, os pequenos negócios continuam sendo o principal sustentáculo do emprego formal no estado. O boletim mostra que as micro e pequenas empresas permanecem responsáveis pela maior parte do saldo positivo acumulado em 2026, enquanto médias e grandes empresas registram desempenho inferior ou negativo no período.
No recorte regional, o desempenho também foi desigual entre os municípios. Apodi liderou a geração de empregos em junho, com saldo de 279 vagas, seguido por Baraúna (154), Patu (140), São José do Seridó (99) e Riachuelo (93).
Em contrapartida, os maiores fechamentos de postos de trabalho ocorreram em Natal (-344), Mossoró (-250), Parnamirim (-181), Açu (-48) e Afonso Bezerra (-45).
O levantamento também revela que o Rio Grande do Norte apresentou o menor saldo de empregos entre os estados do Nordeste em junho, reforçando o cenário de perda de dinamismo da economia potiguar na geração de vagas formais.
Para o superintendente do Sebrae/RN, Zeca Melo, os números indicam um enfraquecimento consistente do mercado de trabalho ao longo dos últimos meses e merecem atenção. “Os dados mostram que a geração de empregos vem perdendo força desde o fim do ano passado. Mesmo com o início da safra do melão contribuindo para a abertura de vagas na agropecuária, esse movimento não foi suficiente para reverter a desaceleração observada em outros setores da economia. O aspecto positivo continua sendo a capacidade das micro e pequenas empresas de sustentar a maior parte dos empregos criados no estado, evitando um resultado ainda mais desfavorável”, avalia.

