Com o propósito de elevar a qualidade do leite e aumentar a eficiência no manejo animal, produtores rurais e empresários confirmaram a continuidade do projeto Matuto Sabido em Campo Grande, município do Médio Oeste potiguar. A iniciativa integra o Programa de Leite e Genética e é desenvolvida em parceria entre a Prefeitura de Campo Grande, o Sebrae-RN e o Laticínio Santa Terezinha, detentor da marca Queijo Matuto. O projeto busca fortalecer a bacia leiteira local por meio de assistência técnica, melhoramento genético, inseminação artificial e adoção de boas práticas na produção.
A renovação da iniciativa foi celebrada nessa terça-feira (2), durante o encontro de capacitação “O leite que move o campo”, que reuniu produtores da região. Além da formalização da nova etapa do projeto, a programação contou com palestra do zootecnista José Sidnei sobre manejo alimentar de rebanhos leiteiros e com a premiação dos produtores que obtiveram os melhores resultados em inseminação.
Criado em 2023 com a participação de dez produtores, o Matuto Sabido ampliou seu alcance e atualmente atende 25 propriedades rurais. A expansão reflete o fortalecimento da cadeia produtiva do leite em Campo Grande, fortalecido pelo acompanhamento técnico oferecido pelo Sebrae-RN.

De acordo com o gestor de Pecuária do Sebrae-RN, Luis Felipe, os produtores participantes alcançaram, em 2025, uma taxa média de prenhez de 53%. O desempenho motivou a criação de uma premiação inédita, baseada no diagnóstico de boas práticas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), para reconhecer os avanços obtidos pelos produtores.
“Celebramos mais um ano de renovação de um projeto que começou tímido e cresce porque entrega resultados. Nosso principal indicador é a taxa de prenhez, que superou os 50% na média do ano passado. Hoje, além de renovar as ações, criamos essa premiação para reconhecer a dedicação dos produtores que evoluíram e se adequaram aos critérios oficiais do Mapa”, destacou Luis Felipe.
Os resultados observados em Campo Grande refletem um desafio presente em toda a cadeia leiteira potiguar. A atividade possui tradição histórica no Rio Grande do Norte, presente nos 167 municípios do estado, com produção concentrada principalmente nas regiões do Seridó e do Oeste. Em 2025, segundo dados do IBGE, a produção diária ultrapassou 1 milhão de litros, gerando faturamento superior a R$ 1 bilhão. Apesar do crescimento, a produtividade por vaca ainda é considerada baixa, o que evidencia a necessidade de investimentos em eficiência e melhoramento genético dos rebanhos.
Entre os produtores beneficiados está Marcondes de Arruda, de 56 anos. Após retornar à atividade leiteira em 2020, ele passou a investir na inseminação artificial com apoio do projeto e já contabiliza sete novilhas oriundas do processo.

“Participo do projeto desde o início, com bons resultados. Já tenho sete novilhas de inseminação. Só tenho a agradecer pelo apoio. Para o futuro, espero que as vacas produzam ainda mais leite”, afirmou.
Também participante do projeto, Orlânio Viana, de 39 anos, participou do encontro em busca de informações para aprimorar a genética do rebanho e aumentar a produtividade.

“Vim buscar conhecimento e melhorias na genética do gado para aumentar a produtividade. Atualmente, temos quase cem animais, mas enfrentamos dificuldades por conta da genética. Estamos pensando em descartar os animais menos produtivos e melhorar o rebanho para reduzir custos e aumentar a produção, sempre com acompanhamento profissional”, explicou.
Segundo o prefeito de Campo Grande, Francisco das Chagas Eufrásio, conhecido como Bibi de Nenca, um dos principais resultados da iniciativa é a mudança de percepção dos produtores sobre os benefícios do melhoramento genético.
“A conscientização dos nossos produtores sobre a importância de melhorar a qualidade do leite foi o maior ganho desse projeto. Vemos produtores com o leite mais valorizado financeiramente e muitos migrando da agricultura para a pecuária, fortalecendo uma atividade que é vocação do município”, ressaltou.
Na avaliação de Túlio Veras, presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Norte (Sindleite-RN) e proprietário da marca Queijo Matuto, iniciativas como o Matuto Sabido contribuem para enfrentar um dos principais gargalos da atividade leiteira: a baixa produtividade dos rebanhos.
“Na atividade leiteira, o Brasil já ultrapassou a marca de 35 bilhões de litros produzidos por ano. No entanto, a produtividade por vaca ordenhada ainda é baixa. Os dados mostram que temos uma atividade pouco eficiente. Por isso, momentos como este, em Campo Grande, são fundamentais para disseminar conhecimento e elevar o nível técnico dos produtores”, destacou.
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