“O Seridó já produz para o Brasil. Agora, o desafio é produzir para o mundo”! Com essa provocação, o Sebrae no Rio Grande do Norte, em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico do RN (SEDEC/RN), realizou, na última segunda-feira (8),em Caicó, o Jantar RN+ Exportação, encontro voltado às micro e pequenas empresas do polo de bonelaria.
A iniciativa teve como objetivo apresentar aos empresários fabricantes de bonés e chapéus as oportunidades do programa RN+ Exportação, que busca apoiar o processo de internacionalização e diversificação de mercados das MPEs potiguares. A programação contou com abertura institucional, apresentação do ALI Produtividade, exposição sobre o mercado global de bonés, detalhamento do programa RN+ Exportação, além de jantar e networking entre os participantes.
Durante o encontro, o superintendente do Sebrae-RN, Zeca Melo, destacou a necessidade de ampliar a presença do estado no comércio exterior, especialmente considerando a força produtiva do setor boneleiro no Seridó. “O Rio Grande do Norte aparece em 11º lugar entre os estados mais exportadores de bonés, apesar de ser o segundo maior produtor nacional. Não dá para entender. Então, o Sebrae vem aqui mostrar essa oportunidade aos empresários e ao Sindibonés/RN”, afirmou Melo.
Segundo ele, a proposta é estruturar uma agenda de comércio exterior dentro do Arranjo Produtivo Local da bonelaria, identificando mercados compradores, exigências comerciais, possibilidades de adequação e caminhos para ampliar a competitividade das empresas da região.

O superintendente também ressaltou que o encontro permitiu apresentar outras frentes de atuação do Sebrae voltadas ao segmento, como o ALI Produtividade e a possibilidade de construção de uma Indicação Geográfica para o boné produzido no Seridó. “Por que não pleitear a Indicação Geográfica do Boné? Isso aumentaria a competitividade desse produto. Existe um segmento de mercado que valoriza muito isso, e vamos partir para o diagnóstico”, explicou Zeca Melo.
Outro ponto levantado durante o encontro foi a economia circular. De acordo com o gestor, o descarte de resíduos da indústria de bonés e chapéus, hoje visto como um problema, pode se transformar em oportunidade de negócio. “Comércio exterior, economia circular e indicação geográfica têm tudo a ver uma coisa com a outra. Isso significa um passo gigante no negócio dos bonés e chapéus da região”, completou.
Programa RN+ Exportação
David Góis, gerente da Negócios, Inovação e Tecnologia do Sebrae-RN, apresentou aos empresários as possibilidades de participação no ALI Produtividade e no programa de internacionalização. “Nós apresentamos o ALI Produtividade e compartilhamos com os empresários boneleiros a possibilidade de participarem do ciclo do programa, com acompanhamento do Agente Local de Inovação para auxiliá-los no aumento da produtividade, na diminuição de custos e no fortalecimento da competitividade”, explicou.
Sobre o RN+ Exportação, David Góis destacou que o programa tem como objetivo auxiliar os empresários a olharem para além do mercado nacional, compreendendo demandas, oportunidades e exigências do mercado global.
“O RN+ Exportação é um programa em conjunto com a SEDEC que tem como objetivo auxiliar os empresários a diversificar mercados, saindo do mercado nacional e olhando para o mercado internacional. A ideia é entender as demandas e oportunidades do mercado global e, quem sabe, internacionalizar seus produtos, exportar e conquistar clientes internacionais”, afirmou.
A palestra também apresentou informações sobre o potencial de compra mundial de bonés, o volume exportado pelo Brasil, os destinos das exportações e os países que mais demandam esse tipo de produto. Para o gerente do Sebrae, os dados ajudam os empresários a compreenderem onde estão as oportunidades e quais mercados podem ser estudados pelo setor.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Bonés e Chapéus do Estado do Rio Grande do Norte (Sindibonés/RN), o empresário Francisco Sena, o encontro representa um passo importante para fortalecer a cadeia produtiva regional e ampliar os canais de comercialização.
“O intuito é fortalecer o escoamento da produção com as vendas que a gente já faz em nível nacional e buscar essa exportação para o mundo todo. Queremos fortalecer a cadeia de bonés e chapéus, que hoje se concentra nos municípios de Caicó, Serra Negra do Norte e São José do Seridó, sendo o segundo maior polo produtor do país”, ressaltou Francisco Sena, presidente do Sindibonés/RN.
Segundo Francisco Sena, o setor tem apresentado crescimento contínuo e a possibilidade de acessar novos mercados amplia a motivação dos empreendedores locais. “O setor só tem crescido, mesmo durante a pandemia, e essa possibilidade de vender para o exterior só motiva nossos negócios”, afirmou.
Mercado global abre oportunidades para o setor
Durante a palestra, foram apresentados dados que reforçam o potencial do mercado internacional para o segmento de bonés e chapéus. O mercado global de produtos promocionais foi estimado em US$ 95 bilhões em 2025, com crescimento anual projetado de 8,36% até 2033. O avanço é impulsionado pelo aumento dos investimentos em branding físico, pela recuperação de feiras e eventos presenciais no pós-pandemia e pela demanda crescente por produtos promocionais sustentáveis, como itens feitos com algodão orgânico ou reciclado.
No mercado de headwear (acessórios para a cabeça), bonés e chapéus representam 59% do segmento global, segundo dados apresentados com base na Mordor Intelligence. Além disso, 39% dos compradores B2B preferem vestuário e bonés como brinde corporativo, enquanto 72% das empresas consideram produtos promocionais essenciais para suas estratégias de marketing.

O Brasil já exporta bonés, mas ainda em volume considerado pequeno diante do potencial internacional. Em 2025, os principais destinos das exportações brasileiras do produto foram Uruguai, Argentina, Paraguai, Estados Unidos, Namíbia, Colômbia, Peru, França e Japão. Apesar disso, as vendas ainda estão concentradas no Mercosul, enquanto o mercado global importa cerca de US$ 8,3 bilhões por ano em bonés e chapéus, conforme dados apresentados a partir do Comex Stat/MDIC.
Entre as vantagens competitivas do polo de Caicó para exportação estão a especialização produtiva acumulada ao longo de décadas, a capacidade de personalização com bordados e patches, o custo competitivo frente a mercados asiáticos, o uso do algodão como diferencial e a concentração produtiva regional, que pode facilitar processos de certificação, controle de qualidade e logística.
Com o RN+ Exportação, o Sebrae-RN e a SEDEC/RN pretendem apoiar as empresas desde a etapa de inteligência comercial até a primeira operacionalização da exportação, contribuindo para que os pequenos negócios potiguares ampliem mercados, fortaleçam sua competitividade e posicionem o boné produzido no Seridó em vitrines internacionais.
Sebrae também discute exportação da fruticultura em Mossoró
Após apresentar o RN+ Exportação aos empresários do polo de bonelaria do Seridó, em Caicó, a equipe do Sebrae-RN seguiu com a agenda de fortalecimento da internacionalização dos pequenos negócios potiguares, desta vez voltada ao potencial exportador da fruticultura. Até hoje (10), em Mossoró, acontece Fórum de Negócios da Fruticultura e do III Workshop de Monitoramento das Moscas-das-Frutas – Safra 2026.
O evento acontece no Auditório Amâncio Ramalho, na Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), e reúne produtores, exportadores, pesquisadores, técnicos e representantes do setor público e privado para discutir temas estratégicos ligados à competitividade da fruticultura brasileira.
A programação ocorre em um contexto considerado favorável para o setor, diante das oportunidades abertas pelo acordo Mercosul–União Europeia, que pode ampliar o acesso a um mercado estimado em 450 milhões de consumidores. A proposta do Fórum é preparar produtores e instituições para aproveitar esse novo ambiente de negócios, fortalecendo a inserção dos produtos potiguares no mercado internacional.

Entre os destaques da programação está o painel sobre ambiente de negócios da fruticultura, com a participação de representantes da Abrafrutas, Sebrae-RN, SAPE/RN, CREA/RN e Prefeitura de Mossoró e a internacionalização da agricultura familiar, com palestras sobre oportunidades de exportação de frutas, apresentação do Programa RN+ Exportação, acesso a crédito, políticas públicas e relatos de produtores e associações que já atuam no mercado externo.


