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Emprego formal no RN cresce em julho, mas resultado ainda fica abaixo da média histórica

Estado abriu 999 vagas no mês, puxado pela agropecuária e pelo cultivo de melão. Microempresas lideram geração de postos e são o único porte com saldo positivo no acumulado de 2026
Por Redação
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Em julho de 2026, o Rio Grande do Norte encerrou com saldo positivo de 999 empregos formais, resultado de 21.759 admissões e 20.760 desligamentos. O desempenho representa uma melhora em relação a junho, mas ainda permanece abaixo dos resultados registrados no mesmo mês nos últimos anos, segundo o Boletim de Emprego do Sebrae-RN, elaborado com base nos dados do Novo Caged.

A série histórica mostra a distância do resultado atual. Em 2022, o estado havia registrado em julho, o saldo de 2.761 postos em 2022, 3.459 em 2023, 6.014 em 2024 e 3.446 em 2025. Em 2026, portanto, a geração de empregos ficou abaixo de todos os resultados anteriores para o mês. No acumulado do ano até julho, o saldo chega a 1.822 vagas, também inferior aos acumulados registrados de janeiro a julho em todos os anos anteriores da série.

O resultado de julho foi fortemente influenciado pela agropecuária, que abriu 1.291 postos. Dentro do setor, somente o cultivo de melão respondeu por 1.029 vagas, reforçando o movimento de recuperação observado em junho e evidenciando o peso do calendário agrícola sobre o mercado de trabalho potiguar. A indústria apresentou saldo positivo de 383 empregos e o comércio, de 204.

Na outra ponta, serviços tiveram saldo negativo de 608 vagas, enquanto a construção registrou perda de 271 postos. Entre as atividades que mais contribuíram para o resultado, além do cultivo de melão, aparece ainda a fabricação de açúcar em bruto, com 451 vagas. Já entre os resultados negativos, destacaram-se os serviços combinados para apoio a edifícios, exceto condomínios prediais, com -696, e a construção de estações e redes de distribuição de energia elétrica, com -220.

Pequenos negócios continuam sustentando o emprego
A análise por porte empresarial retrata mais uma vez uma característica que vem sendo observada no mercado de trabalho do estado: as microempresas seguem como principal fonte de geração de empregos formais.

Somente em julho, as microempresas registraram saldo positivo de 891 postos, enquanto as pequenas empresas abriram 163 vagas e as médias, 463. As grandes empresas foram o único segmento a apresentar resultado negativo, com -518 empregos.

No acumulado de janeiro a julho, a diferença entre os portes fica ainda mais evidente. As microempresas somam 7.814 empregos, enquanto pequenas empresas acumulam saldo negativo de -281 postos, médias têm perda de -2.113 e grandes empresas, de -3.598. O resultado mostra que a geração de empregos pelos pequenos negócios é decisiva para manter o saldo estadual no campo positivo.

A evolução mensal também mostra a consistência das microempresas. O segmento manteve saldo positivo em todos os meses de 2026, com destaque para março, quando abriu 2.166 postos. Em julho, foram 891 novas vagas. Pequenas empresas oscilaram em torno da estabilidade, enquanto médias passaram de saldos negativos no início do ano para resultados positivos em junho e julho. As grandes empresas, embora tenham apresentado forte saldo positivo em janeiro, permaneceram no campo negativo nos meses seguintes.

Para Alinne Dantas, gerente de Gestão Estratégica do Sebrae-RN e coordenadora da análise, o resultado de julho confirma a melhora do mercado de trabalho em relação ao mês anterior, mas ainda exige uma leitura cuidadosa diante da série histórica.

“Apesar do saldo positivo, com a geração de quase mil postos de trabalho, o resultado ficou abaixo do desempenho histórico, tanto na comparação mensal quanto no acumulado. O cultivo de melão e a fabricação de açúcar apresentaram os maiores saldos, enquanto os serviços de apoio a edifícios e a construção de estações e redes de distribuição de energia elétrica registraram os resultados mais baixos, ambos ligados à construção. Na análise por porte, as microempresas lideraram a geração de postos, seguidas pelas médias e pequenas empresas. As grandes empresas foram as únicas a apresentar saldo negativo.”

Agropecuária muda o ritmo do mercado
O desempenho de julho também ajuda a qualificar a leitura feita nos meses anteriores. O forte resultado do cultivo de melão confirma que parte da retração observada no primeiro semestre estava relacionada ao calendário da atividade. Em maio, período em que normalmente começam as contratações da nova safra, o setor havia registrado comportamento atípico, com saldo negativo. A recuperação iniciada em junho ganhou força em julho, com mais de mil vagas geradas apenas pelo cultivo de melão.

Com isso, o resultado de julho não deve ser interpretado isoladamente como uma mudança estrutural na trajetória do emprego. O boletim mostra que fatores sazonais continuam tendo peso relevante na dinâmica do mercado de trabalho potiguar, especialmente na agropecuária.

RN fica em oitavo lugar entre estados nordestinos
Na comparação com os demais estados do Nordeste, o Rio Grande do Norte registrou o oitavo maior saldo de empregos em julho, com 999 vagas. Ficou atrás de Bahia (4.664), Ceará (4.181), Paraíba (2.307), Piauí (1.987), Pernambuco (1.883), Alagoas (1.203) e Sergipe (1.095), e à frente apenas do Maranhão, que abriu 654 postos no mês.

O resultado reforça a necessidade de acompanhar não apenas o saldo mensal, mas a capacidade de geração de novas oportunidades ao longo dos próximos meses. O desempenho positivo de julho, especialmente entre as microempresas, mostra que os pequenos negócios permanecem como uma peça central na sustentação do emprego formal potiguar.

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