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Da produção artesanal aos cafés especiais: indústria cafeeira do RN acompanha transformações do mercado

Encontro na Festa do Boi resgatou a trajetória do setor e discutiu perspectivas para pequenas torrefações e valorização da qualidade
Por Especial Festa do Boi
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Da produção artesanal, na década de 1950, à expansão dos cafés especiais e das pequenas torrefações, a indústria cafeeira do Rio Grande do Norte passou por transformações que acompanharam as mudanças no mercado brasileiro. Essa trajetória foi resgatada nesta sexta-feira (16), durante a programação da Agência Sebrae na Festa do Boi 2026, em um encontro que reuniu representantes do setor para discutir os avanços da atividade e as perspectivas para os próximos anos.

A conversa foi conduzida pelo engenheiro agrônomo Jheyson Dantas, especialista em cafeicultura, com a participação do empresário Heyder de Almeida Dantas, presidente do Sindicato da Indústria de Torrefação e Moagem de Café do Rio Grande do Norte (SINDICAFÉ-RN). Com uma trajetória ligada à indústria cafeeira potiguar desde a década de 1950, Heyder compartilhou experiências sobre as mudanças na produção, comercialização e nos padrões de qualidade do café ao longo dos anos.

O empresário relembrou um período marcado pela produção artesanal, pelas limitações de infraestrutura e pelo controle governamental sobre a comercialização do café. Segundo Heyder, durante a atuação do Instituto Brasileiro do Café (IBC), as indústrias recebiam cotas de matéria-prima que restringiam o volume disponível para processamento. O fim desse modelo, em 1990, representou uma mudança importante, permitindo que as empresas passassem a adquirir café diretamente dos produtores.

Ao longo das décadas, as transformações também alcançaram os padrões de qualidade e as preferências dos consumidores. Heyder destacou a contribuição dos mecanismos de avaliação e certificação para o desenvolvimento do setor, em um cenário no qual cafés tradicionais, superiores, gourmet e especiais passaram a atender a diferentes perfis de consumo.

Novas perspectivas para o setor potiguar

A diversificação do mercado abriu espaço para negócios de menor porte. Com a valorização de cafés de diferentes origens e características, as pequenas torrefações encontram oportunidades de atuação, especialmente em mercados regionais e segmentos de consumo mais específicos.

Para Heyder, esse movimento tende a se fortalecer no Rio Grande do Norte, acompanhando o interesse crescente dos consumidores por diferentes estilos de café.

“O mercado de café no Rio Grande do Norte tem espaço para crescer, especialmente com o avanço das pequenas torrefações e o interesse dos consumidores por produtos diferenciados. Esse movimento abre novas possibilidades para os empreendedores e fortalece a cadeia produtiva do estado”, avaliou.

O engenheiro agrônomo Jheyson Dantas chamou atenção para um dos desafios desse cenário: ampliar o acesso à qualificação técnica. Segundo ele, produtores que desejam trabalhar com a torra do próprio café precisam conhecer os procedimentos necessários para preservar a qualidade dos grãos e atender às exigências de higiene e segurança alimentar. A aproximação entre produtores, indústrias e instituições de apoio também foi apontada como um caminho para fortalecer a atividade.

“Muitos produtores querem torrar o próprio café e agregar valor ao que produzem, mas ainda encontram dificuldades para acessar capacitações técnicas. Precisamos aproximar esse conhecimento de quem está na produção, para que a qualidade construída no campo seja preservada até chegar ao consumidor”, destacou Jheyson Dantas.

A discussão integrou um dia dedicado à cafeicultura na Agência Sebrae na Festa do Boi 2026. A programação reuniu especialistas e produtores em atividades sobre os resultados e perspectivas do Projeto Cafés do RN, qualidade dos grãos, análise sensorial e valorização da produção. As atividades fazem parte das ações do Sebrae-RN para fortalecer a cafeicultura regional, por meio de capacitações, articulação com parceiros e aproximação dos produtores com novos mercados. A Festa do Boi 2026 segue até 17 de outubro, no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim.

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