Patrimônio histórico nacional, a cachaça se tornou mais que um símbolo cultural brasileiro e, além de conquistar paladares mundo afora, está ajudando a transformar sonhos em negócios lucrativos. Na região do Vale do Açu, interior do Rio Grande do Norte, a produção artesanal da bebida virou aposta de uma propriedade rural para gerar renda e se tornar símbolo de identidade regional.
Sonho antigo do empresário Antonez Ferreira, a história da Cachaça Fulô do Mato percorre caminhos que unem tradição e inovação para criar um modelo de negócio sustentável. O empreendimento, instalado em 2021, na zona rural do município de Assú, buscou inspiração na tradição dos antigos engenhos que marcaram a economia da região e no apoio de instituições como o Sebrae/RNpara conquistar espaço no mercado da cachaça genuinamente artesanal.
“Desde a concepção do negócio, a proposta nunca foi simplesmente fabricar uma bebida alcoólica. O objetivo sempre foi proporcionar uma experiência completa ao consumidor, demonstrando que a verdadeira cachaça de alambique possui características muito diferentes da aguardente industrial produzida em larga escala. Trabalhamos para valorizar a cultura da cachaça brasileira, mostrando que ela pode ocupar um espaço de destaque entre as bebidas premium, apreciadas com moderação, conhecimento e sofisticação”, explica Ferreira.
Antonez conta que, desde o início das atividades, a empresa busca evoluir continuamente em gestão, inovação e sustentabilidade. Nesse cenário, ainda conforme o empresário, “a participação em programas de desenvolvimento empresarial promovidos pelo Sebrae tem contribuído significativamente para o processo de consolidação do negócio”.

Além de aperfeiçoar práticas de gestão, fortalecer o posicionamento da marca e estruturar novas estratégias de crescimento, a parceria com o Sebrae/RN resultou na conquista do Selo Feito Potiguar pela empresa. A certificação, chancelada pelo Sebrae e federações estaduais, reconhece negócios que, em seus processos produtivos, utilizam e valorizam produtos genuinamente potiguares.
“O Selo Feito Potiguar representa muito mais do que um reconhecimento à qualidade do nosso produto. Ele reafirma a nossa convicção de que, quando um empreendimento respeita sua origem, valoriza as pessoas, preserva suas tradições e acredita no potencial da sua terra, deixa de produzir apenas uma bebida e passa a representar a identidade, a cultura e o orgulho de um povo”, enfatiza.
Gerente da Agência Sebrae no Vale do Açu, Fernando de Sá Leitão destaca que a atuação da instituição vai além da orientação técnica e busca fortalecer empreendimentos capazes de agregar valor à produção rural por meio da inovação, da gestão e da valorização da identidade regional. Segundo ele, iniciativas como a da Fulô do Mato demonstram o potencial da agroindústria para diversificar a economia, gerar renda e impulsionar o desenvolvimento dos territórios.
“A Fulô do Mato representa o tipo de empreendimento que buscamos fortalecer. É um negócio que alia tradição, inovação, gestão e identidade territorial, transformando uma matéria-prima produzida no campo em um produto de alto valor agregado. O papel do Sebrae é apoiar essa jornada, oferecendo capacitação, orientação e acesso a soluções que contribuam para tornar as empresas mais competitivas, sustentáveis e preparadas para conquistar novos mercados”, afirma.
Produção diferenciada
Segundo Antonez Ferreira, um dos principais diferenciais da Fulô do Mato está no domínio integral da cadeia produtiva. A marca acompanha todas as etapas da produção, desde o cultivo da cana-de-açúcar na própria propriedade rural até a comercialização da bebida. Esse controle integral assegura um elevado padrão de qualidade em cada lote produzido.
“O processo envolve o plantio, a colheita, a moagem da cana, a fermentação natural do caldo, a destilação em alambique de cobre, o armazenamento e o envelhecimento em diferentes madeiras nobres, seguido do envase e da comercialização. Cada etapa é conduzida com rigor técnico, dentro de um ciclo produtivo fechado, respeitando as boas práticas de fabricação e toda a legislação do Ministério Agricultura, assegura.
Atualmente, o Engenho Fulô do Mato produz cachaças armazenadas e envelhecidas em diferentes tipos de madeira, como carvalho, umburana, bálsamo, freijó e jequitibá, que conferem à bebida aromas, sabores e características próprias. Além da linha tradicional, o empreendimento também desenvolve edições especiais e comemorativas, produzidas em quantidades limitadas, voltadas para apreciadores, colecionadores e para quem busca uma opção de presente com identidade regional.
Mais que cachaça, uma experiência
Outro aspecto que diferencia a marca é a experiência proporcionada aos visitantes. A fábrica foi planejada para receber turistas, grupos de empresários, estudantes universitários e visitantes interessados em conhecer de perto todas as etapas da produção de uma autêntica cachaça de alambique.
Durante a visita, o público tem a oportunidade de conhecer todo o processo de fabricação, as instalações da fábrica, aprender sobre o envelhecimento em diferentes madeiras e participar de degustações orientadas. A iniciativa tem contribuído para desmistificar antigos preconceitos relacionados à cachaça e ampliar o conhecimento sobre um produto que faz parte da história, da cultura e da identidade brasileira.
Embora seja uma empresa jovem, a Fulô do Mato vem ampliando gradativamente sua presença no mercado. Além da venda realizada diretamente na fábrica, os produtos da empresa assuense já estão presentes em supermercados, bares, restaurantes e pontos especializados. O empreendimento também conta com representantes comerciais e atendimento direto ao consumidor por meio de canais digitais.

