Transformar pesquisa e tecnologia em negócios sustentáveis exige mais do que uma boa solução. Para startups que nascem da inovação, fazer essa passagem também envolve entender o mercado e encontrar caminhos para crescer.
Os desafios dessa trajetória foram discutidos nesta sexta-feira (18), durante a trilha “Startups Potiguares”, do GO!RN 2026, no Centro de Convenções de Natal. No Palco Potiguar, as experiências da Isnano, Microciclo e inSystem LTDA conduziram a conversa, com a participação de Ednaldo Gomes, Marbella Maria Bernardes e Ádley Antonini, respectivamente, que compartilharam desafios e aprendizados na transformação do conhecimento técnico em oportunidades de negócio.
Na Microciclo, o desafio de chegar ao mercado passa também pela compreensão da própria tecnologia. A startup utiliza bactérias para a degradação de resíduos oleosos e, segundo Marbella, precisa mostrar aos potenciais clientes como esses microrganismos atuam e quais benefícios podem oferecer.
“Existe essa ideia de que as bactérias são ruins, mas também temos bactérias do bem. Elas estão em todos os lugares. Então, a gente também precisa fazer esse trabalho de educação”, explicou.
A relação entre ciência e mercado também faz parte da trajetória da ISnano, empresa criada por pesquisadores oriundos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e voltada ao desenvolvimento de soluções em nanotecnologia. Um dos fundadores, Ednaldo Gomes, destacou que transformar o conhecimento produzido na academia em negócio exige compreender as demandas comerciais sem abrir mão da qualidade científica.
“Existe uma ‘catequese’ de mercado que a gente precisa fazer. Ao mesmo tempo, é preciso ter o cuidado de não entregar qualquer coisa. Quando a gente vem da academia, precisa trazer excelência e qualidade naquilo que está fazendo”, afirmou.
Segundo Ednaldo, depois dos desafios ligados ao desenvolvimento da tecnologia, a empresa vive agora uma etapa de fortalecimento comercial. “A gente já tem tudo definido, no entanto, precisa do que qualquer empresa busca: emitir nota fiscal. O desafio que a gente enfrenta bastante hoje é essa questão comercial”, explicou.
Na inSystem LTDA, Ádley Antonini apontou que essa aproximação com o mercado também exige alinhar as expectativas da indústria ao estágio de desenvolvimento das tecnologias. Em alguns casos, potenciais parceiros buscam soluções prontas para aplicação, enquanto o produto ainda precisa passar por etapas de pesquisa e validação.
Para ele, outro desafio está na estrutura necessária para manter uma startup de base tecnológica. A formação de equipes especializadas, a busca por recursos e a conciliação entre as atividades acadêmicas e as demandas da empresa fazem parte dessa trajetória.
A troca de experiências integra a programação do GO!RN 2026, que reúne, nesta sexta-feira (18) e sábado (19), empreendedores, pesquisadores, estudantes e profissionais interessados em inovação, tecnologia e negócios. Realizado pelo Sebrae-RN, em correalização com mais de 40 instituições parceiras, o evento conta com mais de 250 atividades distribuídas em 14 palcos e 13 eixos temáticos, no Centro de Convenções de Natal.

