A tradição de três décadas da Debb Bonelaria e a chegada de uma nova geração de empreendedores, representada pela marca autoral Biaré, ajudam a contar a história da indústria de bonés de Serra Negra do Norte. Entre os dias 6 e 8 de agosto, empresas como essas participaram da 2ª Feira Nacional Boné Brasil, realizada no município potiguar, reunindo fabricantes, fornecedores, empreendedores e representantes de diferentes elos da cadeia produtiva.

Reconhecida como a Capital Nacional do Boné Personalizado, Serra Negra do Norte possui uma produção estimada em 2 milhões de bonés por mês. Segundo dados da organização do evento, a atividade movimenta mais de R$ 190 milhões por ano na região do Seridó e gera cerca de 4 mil empregos no polo boneleiro potiguar, formado pelos municípios de Serra Negra do Norte, Caicó e São José do Seridó.
Somente em Serra Negra do Norte, a bonelaria reúne aproximadamente 50 empreendimentos, entre fábricas, serigrafias, empresas de bordado e fornecedores de insumos. A cadeia produtiva envolve ainda negócios especializados na fabricação de abas, bicos, viseiras, bolsas e outros componentes utilizados na produção. O setor conta também com cerca de 500 vendedores ativos, responsáveis por levar os produtos fabricados na região para diferentes mercados do país.
Nesse cenário, a Boné Brasil surge como uma oportunidade de aproximar empresas, fornecedores e profissionais, além de estimular a inovação e a abertura de novos mercados. A iniciativa da Prefeitura de Serra Negra do Norte contou com apoio do Sebrae Nacional, Sebrae-RN, Banco do Nordeste, ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), FIERN, SINDBONÉS-RN (Sindicato das Indústrias de Bonés e Chapéus do Estado do Rio Grande do Norte), entre outras instituições.
Para quem construiu sua trajetória dentro da atividade, a realização do evento também representa reconhecimento para um segmento que faz parte da identidade econômica do município. Proprietária da Debb Bonelaria, Edileuza Dantas trabalha há 30 anos com a fabricação de bonés em Serra Negra do Norte. Para ela, a feira contribui para ampliar a visibilidade dos produtores locais e valorizar o trabalho desenvolvido pelo setor.

A continuidade dessa atividade também aparece na experiência de sua filha, Beatriz Araújo, proprietária da Biaré. Participando pela primeira vez da feira com sua marca autoral, a empreendedora desenvolve produtos inspirados em elementos da cultura brasileira, aplicados em bordados de bonés, camisetas, bolsas e outros artigos.
“O apoio do Sebrae contribui para o desenvolvimento do empreendedorismo no município, enquanto a feira proporciona troca de conhecimentos, inspiração para novas práticas e contato com novos mercados”, destacou Beatriz.
Durante a solenidade de abertura da Boné Brasil, o diretor técnico do Sebrae-RN, João Hélio Cavalcanti, destacou que a participação da instituição no evento envolve uma equipe dedicada à realização de oficinas e à aproximação das empresas com inovação e tecnologia.
“Os reflexos da atividade ultrapassam os limites do município, alcançando cidades vizinhas e representantes de estados como Paraíba, Pernambuco e Paraná. É uma feira nacional de fato”, afirmou João Hélio.
Na avaliação do gerente da Agência Sebrae Seridó Ocidental, Pedro Medeiros, o evento cria oportunidades para um segmento já consolidado na região e que possui papel relevante na geração de empregos e renda. “O contato com novas máquinas e equipamentos e a troca de experiências entre os participantes podem contribuir para melhorar a competitividade das empresas e fortalecer a sustentabilidade do setor”, observou.

A gerente de Desenvolvimento Setorial do Sebrae-RN, Verônica Melo, também ressaltou o potencial econômico da atividade e a importância do apoio à indústria boneleira. “A Boné Brasil é um evento que visa contribuir e impulsionar o desenvolvimento da indústria de bonelaria da região”, afirmou.

Segundo Verônica, a atuação do Sebrae busca favorecer o crescimento e o fortalecimento da cadeia produtiva, considerando sua capacidade de gerar emprego e renda e de movimentar diferentes segmentos ligados à produção de bonés.
Para o prefeito de Serra Negra do Norte, Acácio Sânzio de Brito, a Feira Nacional Boné Brasil permite que empresários e profissionais da cadeia produtiva troquem conhecimentos, acompanhem tendências, aprimorem conceitos, ampliem suas redes de contatos e conheçam caminhos para tornar o setor mais competitivo.
“A feira dobrou de tamanho e também duplicou o número de expositores, reunindo parceiros que continuam apostando no potencial do polo industrial e na sua capacidade de gerar empregos no sertão potiguar e paraibano”, pontuou o prefeito.
O crescimento do evento também é percebido pelos próprios fabricantes. É o caso de Manoel Gato, da Astro Horse. Produtor e fabricante de Serra Negra do Norte, ele possui duas empresas que empregam mais de 200 trabalhadores. Há quatro anos no ramo da bonelaria e participando pelo segundo ano da Boné Brasil, o empresário destaca a importância do evento para a marca, que já fornece produtos para empresas de diferentes regiões do país.
Manoel também relata ter contado com a assessoria do Sebrae na busca por soluções para desafios enfrentados pelas empresas e destaca a contribuição dos cursos de costura realizados no município para estimular a qualificação de pessoas interessadas em ingressar na atividade.

Ao reunir empresas tradicionais, novos empreendedores, fornecedores e instituições de apoio, a Feira Boné Brasil evidenciou a força e a relevância da indústria boneleira para Serra Negra do Norte e para o Seridó potiguar. Em uma região que produz milhões de peças por mês e movimenta centenas de empreendimentos e postos de trabalho, o evento se consolida como espaço de negócios, qualificação, inovação e aproximação com novos mercados.
Para empresários como Edileuza Dantas, Beatriz Araújo e Manoel Gato, a iniciativa representa também uma oportunidade de dar visibilidade a diferentes gerações que ajudam a manter viva e em expansão uma das principais vocações produtivas do Seridó.

