Por trás de uma partida disputada na tela, há muito mais do que habilidade com o controle, teclado ou celular. Treino, disciplina, preparo físico e emocional fazem parte da rotina de quem busca uma carreira nos eSports. Ao redor dos jogadores, um mercado de diferentes profissionais também ajuda a movimentar o cenário competitivo.
Foi esse outro lado dos esportes eletrônicos que ganhou espaço na conversa “Além do Play: Carreiras e Oportunidades nos eSports”, realizada durante a trilha “Empreendedorismo Gamer” do GO!RN 2026. O debate reuniu o presidente da Confederação Brasileira de Games, Leonardo Fontes; o narrador e criador de conteúdo de eSports, Bruno Clash; a psicóloga do esporte e dos eSports e fundadora do Instituto Psicoinfo, Luciana Nunes; e a presidente da Federação de Games do Rio Grande do Norte, Tábata Diniz.

Ao abordar a formação de jogadores, o presidente da Confederação Brasileira de Games, Leonardo Fontes, chamou atenção para uma distinção importante: jogar competitivamente não significa, necessariamente, estar preparado para a rotina de um atleta. No alto desempenho, as horas diante das telas são apenas uma parte da preparação, que também pode envolver treinamento físico, acompanhamento psicológico e uma rotina estruturada.
A psicóloga do esporte e dos eSports Luciana Nunes levou a discussão para o processo que acontece antes de o jogador chegar às grandes competições. Diferentemente de modalidades tradicionais, em que categorias de base ajudam a construir gradualmente a experiência esportiva, nos eSports esse percurso nem sempre existe. Um jovem pode sair do quarto de casa diretamente para um ambiente competitivo e passar a ser cobrado por resultados sem ter desenvolvido ferramentas para lidar com pressão, derrotas e decisões importantes.
“A culpa não é do jogador. A gente economizou na jornada do jogador”, resumiu Luciana.
Para ela, foco, controle emocional e tomada de decisão sob pressão também precisam ser desenvolvidos ao longo dessa trajetória. A preparação se torna ainda mais importante quando o jogador passa a representar uma organização e disputar partidas que podem definir títulos, classificações e oportunidades profissionais.
Outras carreiras no universo gamer
A formação de atletas foi apenas uma das frentes discutidas no painel. O mercado de eSports também reúne carreiras construídas fora das competições, como mostra a trajetória do narrador e criador de conteúdo Bruno Clash.
Ao falar sobre empreendedorismo, Bruno também destacou a importância de observar mudanças de comportamento e necessidades do público para identificar oportunidades de negócio. Ele citou a pandemia como exemplo de um período em que a migração para o digital abriu espaço para novos serviços e empresas.
Com a estruturação do setor, esse ecossistema passou a reunir profissionais de transmissão, produção de conteúdo, gestão, organização de campeonatos e outras atividades ligadas aos jogos eletrônicos.
A presidente da Federação de Games do Rio Grande do Norte, Tábata Diniz, destacou também a importância dos campeonatos na formação dos atletas e na construção de experiência competitiva.
No GO!RN 2026, os games ocupam espaço próprio. O “Empreendedorismo Gamer” está entre os 13 eixos temáticos desta edição, com uma programação que reúne discussões sobre mercado, carreiras e indústria de jogos, além de competições. No espaço Gamer, o público também acompanha finais de Free Fire e Brawl Stars.
O universo gamer integra as mais de 250 atividades do GO!RN 2026. Realizado pelo Sebrae-RN, em correalização com mais de 40 instituições parceiras, o evento segue neste sábado (19), no Centro de Convenções de Natal, com programação voltada à inovação, tecnologia e empreendedorismo.

