O fortalecimento do ambiente de inovação no Seridó e a criação de novas oportunidades para os pequenos negócios estão entre os objetivos da articulação do Sebrae-RN para aproximar o Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX) dos ecossistemas de inovação do interior potiguar. Em Caicó, a iniciativa foi destaque na última quarta-feira (4), com a visita do diretor do parque, Marcelo Pelicano, a instituições de ensino, empresas e representantes da governança local de inovação.
A agenda integra o movimento de interiorização do PAX, localizado em Macaíba, e contou com a articulação do Sebrae-RN, que também acompanhou visitas a Mossoró, Pau dos Ferros e Currais Novos. A proposta é conectar conhecimento científico e tecnológico às demandas do setor produtivo, estimulando parcerias, projetos conjuntos e soluções inovadoras para diferentes realidades regionais.
Para o analista técnico do Sebrae-RN, Ítalo Bruno, a aproximação representa uma oportunidade de fortalecer o trabalho já desenvolvido no território. “O Sebrae já vislumbrava há algum tempo uma instituição como o PAX dentro de Caicó, para que nós consigamos, em parceria com eles, fazer ações mais sólidas com as ICTs, instituições e empresas locais, conseguindo novas soluções e desenvolvimento para a região”, explicou.

Durante a programação, Marcelo Pelicano visitou o IFRN Campus Caicó e a empresa E-cossistem, além de participar da reunião de governança do Ecossistema Local de Inovação. A agenda também contou com a participação de representantes da comunidade Caicó Valley, que reúne empreendedores, startups e agentes envolvidos no desenvolvimento tecnológico e inovador do município.
No IFRN Campus Caicó, um dos principais assuntos discutidos foi a destinação dos resíduos sólidos gerados pelas bonelarias, desafio que envolve questões ambientais, sociais e econômicas. O diretor da instituição de ensino, professor Ricardo Rodrigues, destacou a importância da aproximação com o PAX para viabilizar projetos e buscar soluções para demandas urgentes da região. “A ideia é que a gente saia com uma proposta que futuramente possa ser efetivada, como, por exemplo, a destinação desses resíduos sólidos, que envolve questões ambientais, sociais e econômicas regionais”, afirmou.
Segundo Ricardo Rodrigues, o campus já possui um projeto de pesquisa sobre o reaproveitamento de resíduos do tecido conhecido como dublagem, utilizado na indústria boneleira. A proposta, entretanto, ainda depende de estrutura e equipamentos para avançar. Para o diretor, o PAX poderá contribuir com mentorias, elaboração de projetos e apoio técnico para transformar a pesquisa em uma solução aplicável às empresas.
Ecossistema de Inovação
Na E-cossistem, foram apresentados projetos de desenvolvimento tecnológico, entre eles o Auris, solução de tecnologia assistiva voltada à inclusão e à autonomia de pessoas com deficiência visual. A empresa também desenvolve ferramentas de automação de processos. O gestor Emanuel Bruno ressaltou a importância da aproximação entre o parque tecnológico, o Sebrae e as empresas do interior que desenvolvem tecnologia.
A programação foi encerrada com a reunião da governança do Ecossistema Local de Inovação de Caicó, que debateu iniciativas como a Lei de Inovação, incubadoras, eventos tecnológicos e projetos voltados à indústria boneleira. Para a agente local de inovação, Rafaela Dessoles, a presença do PAX pode impulsionar as ações que já estão em andamento no município.
A interiorização do parque reforça a importância da atuação articulada do Sebrae-RN na conexão entre instituições, empresas, startups e ambientes de inovação, criando oportunidades para que o conhecimento científico se transforme em soluções para o mercado e para a sociedade.
O PAX tem como fundadores e mantenedores instituições do setor privado, como o Sebrae-RN, a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio-RN); organismos governamentais, como as Prefeituras de Macaíba, Natal, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante, além da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (SEDEC-RN); e instituições de educação, pesquisa e fomento, como UERN, UFRN, IFRN, Instituto Santos Dumont (ISD), FAPERN e FUNCERN. A união dessas organizações fortalece a estrutura de cooperação necessária para impulsionar a ciência, a tecnologia, o empreendedorismo e o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte.

