A produção de ostras, peixes e camarões apresenta oportunidades para ampliar a geração de renda e fortalecer os negócios rurais no Rio Grande do Norte. Com possibilidades que vão dos estuários às propriedades do interior, a aquicultura foi tema de uma série de palestras realizadas neste sábado (10), no palco Juntos pelo Agro, na Agência Sebrae Festa do Boi 2026, no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim.
Os debates reuniram especialistas para discutir alternativas de produção, uso de tecnologias, redução de custos e acesso a novos mercados. A programação também abordou os desafios para desenvolver a atividade em regiões com menor disponibilidade de água e a importância da assistência técnica para tornar os empreendimentos viáveis.
A produção de ostras esteve entre os temas da programação, com a palestra “Captação de Sementes com Coletores Artificiais nos Estuários do Rio Grande do Norte”, conduzida pelo engenheiro de pesca e consultor em aquicultura Rui Trombeta. Com atuação em projetos de ostreicultura e pesca sustentável no estado, o especialista apresentou o tema da captação de sementes como parte das iniciativas voltadas ao desenvolvimento da produção de ostras nos estuários potiguares.
Na palestra “Piscicultura no Rio Grande do Norte: desafios, oportunidades e perspectivas”, o engenheiro agrônomo e consultor do Sebrae-RN, Sérgio Henrique, destacou o potencial de expansão da criação de tilápias no estado, especialmente entre pequenos produtores rurais. Segundo ele, apesar das limitações hídricas em algumas regiões, a assistência técnica e a adoção de tecnologias têm permitido desenvolver a atividade em municípios como Lagoa Nova, na Serra de Santana.
O município alcançou uma produção de aproximadamente 18 toneladas de tilápia, conforme dados do IBGE referentes a 2025 citados pelo consultor. Sérgio também ressaltou que o mercado potiguar ainda depende de peixes provenientes de estados vizinhos, como Ceará e Paraíba, o que representa uma oportunidade para ampliar a produção local.
Entre os principais desafios, está o custo da ração, que pode representar cerca de 70% das despesas de produção. Para reduzir esses gastos, o especialista apontou alternativas como compras coletivas, melhorias no manejo e maior controle financeiro das propriedades.
“Eu não posso vender nada sem saber o preço. Eu tenho que saber precificar”, afirmou Sérgio, ao chamar atenção para a importância de conhecer os custos de produção antes de definir o valor de comercialização do pescado.
O consultor também destacou o aproveitamento da água dos viveiros na irrigação de culturas agrícolas, prática já experimentada por produtores de Lagoa Nova, como uma possibilidade de integrar atividades e utilizar melhor os recursos disponíveis nas propriedades.
A criação de camarões em regiões afastadas do litoral também ganhou espaço na programação. O engenheiro de pesca e diretor técnico da Camarões Iguatu, Deangelis Souza, apresentou experiências de produção em águas de baixa salinidade durante a palestra “Carcinicultura em Águas Interiores: Realidade, Potencialidades e Oportunidades no RN”.
Com atuação no interior do Ceará, o especialista explicou que a capacidade de adaptação do camarão a diferentes níveis de salinidade amplia as possibilidades de cultivo. A escolha do sistema produtivo, no entanto, depende das condições da propriedade, do investimento disponível e do acompanhamento técnico.
Deangelis também destacou os ciclos de produção relativamente curtos como uma vantagem econômica da atividade. Dependendo da tecnologia utilizada, o camarão pode ser comercializado em períodos menores que os exigidos pela criação de tilápias, permitindo maior frequência de retorno financeiro ao produtor. Apesar desse potencial, o especialista alertou para os riscos de uma produção sem planejamento, especialmente diante de problemas sanitários e oscilações do mercado.
“Criar camarão não é só colocar a larva, ração e água”, ressaltou Deangelis, ao defender a necessidade de investimento em tecnologia, capacitação e controle dos processos produtivos.
Viabilidade econômica e novos produtores
A análise dos custos e das condições necessárias para investir na carcinicultura também integrou a programação. O consultor do Sebrae e diretor da BR Aqua, Jonathas Sales, conduziu a palestra “Viabilidade econômica: quanto custa produzir camarão na água doce”, dedicada aos aspectos financeiros desse modelo de cultivo.
Já o consultor do Sebrae e diretor da AKVA, Antonino Bezerra, integrante da coordenação do Projeto de Interiorização da Carcinicultura do RN, apresentou o programa e orientou os participantes sobre como ingressar na iniciativa.
A programação do dia contou ainda com uma mesa-redonda que reuniu Deangelis Souza, Jonathas Sales e Antonino Bezerra para discutir oportunidades e desafios da atividade no interior potiguar. O momento também abriu espaço para a participação do público, que pôde tirar dúvidas diretamente com os especialistas.
Sobre a Agência Sebrae Festa do Boi
De 9 a 17 de outubro, a Agência Sebrae Festa do Boi oferece, no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim, uma programação gratuita voltada ao desenvolvimento do agronegócio. Em uma área de 5 mil metros quadrados, o espaço reúne capacitações, demonstrações, gastronomia e exposição de produtos potiguares, aproximando produtores rurais de novas oportunidades de mercado.


