Transformar resíduos têxteis da indústria boneleira em novos produtos, serviços e oportunidades de geração de renda foi o desafio colocado em discussão durante o Workshop Seridó Circular – Soluções Circulares para as Bonelarias do Seridó, realizado na sexta-feira (7), dentro da programação da 2ª Feira Nacional Boné Brasil, em Serra Negra do Norte/RN. Com o tema “Do resíduo ao mercado: soluções circulares para bonelárias do Seridó”, o encontro reuniu empresários, especialistas, instituições de ensino e pesquisa, startups e trabalhadores da cadeia de reciclagem.

A programação contou com a palestra “Economia Circular, inovação e mercado: caminhos para transformar resíduos têxteis em valor”, ministrada por Gilvaneide Silva, presidente do Instituto do Meio Ambiente de Pernambuco (IMOA/PE). A especialista destacou a importância de aproximar experiências já desenvolvidas em outras regiões das empresas de confecção do Seridó.
Gilvaneide ilustrou sua palestra com o projeto desenvolvido em Caruaru-PE para reaproveitamento de resíduos do jeans no bairro Alto do Moura, que rendeu vários prêmios, inclusive internacional. Ela apresentou uma calculadora que mede o impacto da reciclagem no ambiente da indústria têxtil de Pernambuco. “O Sebrae traz essa palestra para fazer esse elo, essa ponte, e fortalecer as empresas de confecções aqui do sertão do Rio Grande do Norte”, afirmou a palestrante.
Para Mona Nóbrega, gerente da Unidade de Desenvolvimento Rural e Negócios de Impacto Socioambiental do Sebrae-RN, o workshop teve como principal objetivo reunir diferentes atores de Serra Negra do Norte e Caicó para elaborar um plano de intervenção com a definição de estratégias para transformar o desafio ambiental em oportunidade.
“A proposta é estimular uma mudança de perspectiva entre os empreendedores, para que o resíduo deixe de ser visto apenas como um problema e passe a ser compreendido como matéria-prima para novos negócios”, destacou Mona, lembrando que a iniciativa também dialoga com o Programa Pró-Catador do Sebrae, que atua junto a cooperativas e associações de reciclagem, buscando inserir catadores em novas oportunidades de geração de renda.

O gerente da Agência Sebrae Seridó Ocidental, Pedro Medeiros, destaca que o workshop representa um novo momento para a indústria boneleira da região. Segundo ele, a atividade reuniu experiências de outras regiões do Nordeste e diferentes segmentos, incluindo instituições de ensino superior, pesquisa, inovação, órgãos governamentais e organizações ligadas à reciclagem, reutilização e aproveitamento de materiais.
A expectativa é que as discussões resultem em novos caminhos para o setor, desde a criação de linhas de produtos e coleções produzidas a partir de resíduos da indústria boneleira até investimentos de maior porte para o tratamento adequado dos materiais. “Estamos fortalecendo o olhar para a sustentabilidade, para o lado econômico, ecológico e social desse segmento importante para a região do Seridó”, destacou Medeiros.

Como parte da programação, uma oficina foi realizada com mulheres do Clube de Mães de Serra Negra do Norte, com o objetivo de apresentar, na prática, possibilidades de reaproveitamento dos resíduos da indústria boneleira. A formação foi conduzida por Michele Magali, da Virô Soluções, convidada pelo Sebrae-RN para demonstrar o potencial dos materiais.
A oficineira apresentou peças como bolsas e itens para casa, mostrando às participantes que os resíduos podem ser transformados em produtos com valor agregado. Ao todo, doze mulheres participaram da oficina e produziram três peças: um chaveiro, um jogo americano e uma bolsa para celular.
Entre as participantes estava Marisa do Rosário de Medeiros, de Serra Negra do Norte. Pela primeira vez, ela teve contato com uma máquina industrial e, durante a oficina, produziu um jogo americano. A experiência, segundo Marisa, também representou uma oportunidade de superar o medo e adquirir um novo conhecimento. Ela conta que pretende compartilhar os ensinamentos aprendidos com familiares e destaca a importância das formações oferecidas pelo Sebrae-RN.

A realização do workshop marca uma agenda voltada à construção de soluções para os resíduos da indústria boneleira do Seridó, tanto para Serra Negra do Norte, quanto para Caicó e São José do Seridó. A proposta é que as discussões realizadas durante a programação e organização do plano piloto, seja acompanhado pelas diferentes unidades e áreas de atuação do Sebrae, em parceria com as empresas.
Para José Rangel, analista do Sebrae, a discussão sobre os resíduos responde a uma das questões centrais da edição deste ano da feira: “qual destino dar aos materiais descartados pelos empreendedores da indústria têxtil?”. De acordo com o consultor, a busca por soluções para o reaproveitamento pode contribuir para reduzir os custos públicos relacionados à destinação dos resíduos e, ao mesmo tempo, atender a um mercado consumidor interessado em produtos ambientalmente responsáveis.

