No Agreste potiguar, desponta no mercado alimentício uma produção diversificada de queijos de cabra. Com 13 anos de atividade, o gestor e proprietário da Capril Buxada, Marcelo Paiva, destaca com orgulho o modelo da empresa, baseado na agricultura familiar e na valorização gradual de um produto essencialmente potiguar.
Paiva conta que trabalha com leite desde os 17 anos. Ele iniciou na atividade com a produção de leite bovino, comercializado tanto de forma direta quanto para laticínios. Depois, passou a adotar a mesma dinâmica com o leite de cabra. No entanto, após enfrentar dificuldades com indústrias, decidiu investir na produção de derivados do leite caprino — atividade com a qual se identificou e na qual vem expandindo a atuação ao longo dos anos.
A queijeira Capril Buxada está localizada no município de Monte Alegre, a cerca de 40 quilômetros de Natal. Segundo Paiva, a empresa conta atualmente com mais de 30 produtos, entre iogurtes, queijos e doces. Destes, dois já são reconhecidos com o selo Feito Potiguar, enquanto outros estão em processo de reconhecimento. Entre os produtos certificados estão o queijo Paixão, o queijo de leite de cabra tipo reino e o Cabrita — queijo de coalho produzido com leite de cabra.
Em setembro de 2025, a Capril Buxada recebeu o selo Feito Potiguar em cerimônia realizada no município de Santa Cruz. Sobre o reconhecimento, Marcelo afirma que a iniciativa contribui para ampliar a visibilidade dos produtos locais.

“O Sebrae vem me ajudando com divulgação e visibilidade — a gente não fica invisível. Isso ajuda a crescer nas vendas. É um produto mais sofisticado e, por isso, mais caro. Às vezes, há pessoas no próprio Rio Grande do Norte que ainda não conhecem. O estado tem tanta coisa: sal, açúcar, café, frutas. A gente precisa valorizar o que é nosso. Temos rapadura, carne de sol. O agro do Rio Grande do Norte é muito rico e diverso”, afirma.
Ao analisar sua trajetória, o produtor destaca que um dos principais impulsos para o crescimento do negócio foi a participação em feiras e concursos de queijo, com apoio do Sebrae-RN. Nessas ocasiões, ele conseguiu ampliar conexões com o mercado de produtos artesanais, obter mais informações sobre a diversidade de derivados do leite caprino e conquistar premiações que deram visibilidade à marca. Entre as conquistas, ele ressalta a de 2022, quando a manteiga ghee Delícia da Cabrita foi reconhecida como o sexto melhor produto lácteo do mundo.
“Hoje tenho mais de 18 produtos premiados em várias edições do Enel, Queijo Brasil. Dou graças ao Sebrae e ao Senar, porque, se não fossem eles, talvez ninguém me conhecesse até hoje. Muitas pessoas ainda não conhecem os produtos derivados do leite de cabra. Nesses anos venho quebrando barreiras. Tenho o maior prazer de mostrar que é possível viver do campo e oferecer um bom produto de leite de cabra”, destaca o produtor.
Valorização da origem fortalece competitividade
Investir em produtos artesanais com identidade local é uma estratégia sólida de posicionamento competitivo. Para Elton Alves, gestor do Feito Potiguar, em mercados cada vez mais saturados por commodities e produtos padronizados, a diferenciação baseada em origem, história e saber local agrega valor.
“Produtos potiguares bem estruturados dialogam com tendências de consumo como rastreabilidade, sustentabilidade, autenticidade e experiência, ampliando o acesso a nichos premium e a novos canais de comercialização, dentro e fora do estado. Isso significa menos disputa por preço e mais competitividade por valor”.
O gestor ressalta ainda que a trajetória da Capril Buxada demonstra como um negócio de base produtiva local pode se transformar em uma marca reconhecida nacionalmente a partir de três pilares estratégicos: qualificação do produto, construção de marca e inserção em ambientes de mercado.
“O investimento contínuo em inovação, diversificação do portfólio e participação em feiras e concursos permitiu à empresa validar a qualidade dos produtos, ganhar visibilidade e acessar novos mercados. Esse caminho mostra que empreendedores que apostam na profissionalização, na valorização da identidade potiguar e no uso de instrumentos como o Selo Feito Potiguar conseguem reduzir riscos, ampliar a escala comercial e gerar resultados sustentáveis”, frisa.

