As mãos que ajudam a preservar saberes tradicionais e mantêm viva a tradição do artesanato potiguar estão moldando, também, novas oportunidades para mulheres da região do Vale do Açu. Por meio do projeto Casa de Vó, o Sebrae no Rio Grande do Norte vem fortalecendo o trabalho de oito artesãs locais, promovendo capacitação, valorização da identidade cultural e acesso a novos mercados. Como resultado desse processo, uma exposição aberta ao público na Casa de Cultura Popular Sobrado da Baronesa, em Assú, reúne mais de 285 peças produzidas pelo grupo e segue em cartaz até a próxima quarta-feira (24).
A arte desenvolvida pelo grupo de mulheres está presente em cada detalhe de peças que percorrem diversas tipologias do artesanato potiguar: seja no capricho dos tecidos bordados, na pintura que exalta a fé ou nos moldes de cerâmica que contam histórias do regionalismo potiguar.
A artesã assuense Vera Lúcia de Souza, mais conhecida como “Vera do Barro” é uma das beneficiadas pela iniciativa. Com 27 anos dedicados à arte em cerâmica, ela relembra, emocionada, as conquistas obtidas a partir da arte, sua única fonte de renda. A empreendedora ressalta, ainda, a importância do projeto Casa de Vó, que, de acordo com ela, está ampliando novos horizontes para a economia criativa na região.

“Tirar a matéria-prima do solo e transformar em arte, seja esculturas ou utilitários, é uma dádiva, e me sinto honrada nessa área. O artesanato é minha fonte de renda e, com essa arte, formei uma filha em Administração e em breve formarei outra. Eu sou muito grata por isso e por todo o apoio que tenho recebido do Sebrae, que, com essas ações, leva nosso trabalho ainda mais longe, abrindo portas”, detalha.
Ainda de acordo com a artesã, a exposição Casa de Vó vai além de gerar visibilidade às peças produzidas. Está ampliando mercados e elevando as vendas, especialmente no período junino, tradicional manifestação cultural no município de Assú.
“A procura está sendo muito boa e com propostas para novos trabalhos. O espaço está sendo muito bem visitado e, desde a abertura da exposição, já vendi bastante. Acredito que, até o final da exposição, as vendas serão bem altas e nosso trabalho estará mais conhecido por gente de todo lugar que está visitando a festa de São João em nosso município”, pontua.
Religiosidade tecida à mão
Outra artesã participante do projeto Casa de Vó é Milena de Almeida, do Ateliê Maria & Marta, em operação há seis anos. A partir das intervenções do projeto, a empreendedora desenvolveu, em algodão cru, uma coleção especial, inspirada nos 300 anos da Paróquia de São João Batista. São peças que retratam a arquitetura, a religiosidade do povo e as memórias de uma Assú do passado, mas que se mantém viva a partir da arte do fazer manual.

“Eu me descobri na pandemia, quando despertei para o artesanato e, agora, o projeto, com a exposição, veio para dar mais visibilidade e alavancar minhas vendas, que são feitas online. Desenvolvi um tecido que mostra os elementos de fé, as riquezas naturais e obras arquitetônicas que contam um pouco da nossa história, e as expectativas são as melhores. Estar sob os cuidados do Sebrae é garantia de ganhos, pois o Sebrae potencializa, dá credibilidade e gera esse movimento positivo. Está sendo muito importante participar porque, além de alavancar meu negócio, me fez revisitar memórias, exatamente como o projeto prevê”, detalha.
Com curadoria e concepção assinadas por Chrystian Saboya, a Casa de Vó transforma referências afetivas, memórias e tradições nordestinas em uma exposição que exalta a identidade cultural do Rio Grande do Norte. Inspirada no acolhimento e no afeto representados pela figura da avó, a iniciativa cria um ambiente que conecta tradição, identidade e oportunidades de negócios para o artesanato potiguar.
Sobre o “Casa de Vó”
Lançada em Assú na última segunda-feira (15), a exposição Casa de Vó segue aberta à visitação no município até o próximo dia 24, integrando a programação dos festejos juninos e ampliando a visibilidade do artesanato regional em um dos principais polos culturais do interior potiguar.
A mostra reúne mais de 285 peças produzidas por artesãs locais, contemplando tipologias como fibra natural, macramê, produtos gourmet, cerâmica, costura criativa, pintura e trabalhos em madeira. A diversidade das peças evidencia a riqueza dos saberes tradicionais presentes no município e reforça o potencial do artesanato como vetor de geração de renda, fortalecimento da identidade cultural e desenvolvimento da economia criativa.
Ações contínuas
Gerente da Agência Sebrae no Vale do Açu, Fernando de Sá Leitão explica que o projeto Casa de Vó é parte de uma estratégia coordenada para impulsionar a economia criativa em Assú e região. A ideia, segundo ele, é desenvolver um trabalho contínuo, envolvendo capacitações, intervenção em design e ações que promovam acesso a novos mercados.
“A ideia é ampliar nossa atuação para a produção associada ao turismo, integrando pequenos negócios locais — artesanato, gastronomia, cultura e agricultura familiar — à cadeia turística, gerando renda e fortalecendo a identidade regional”, explica.

Voltado ao fortalecimento da economia criativa e do artesanato potiguar, o projeto Casa de Vó é uma celebração à cultura nordestina. Para a gerente da Unidade de Desenvolvimento Setorial do Sebrae RN, Verônica Melo, o propósito do projeto é fortalecer o artesanato do estado por meio da valorização da identidade cultural e do aperfeiçoamento técnico das artesãs.
“Valorizar o artesanato significa resgatar a nossa história, a nossa cultura e a nossa identidade. A Casa de Vó foi concebida para proporcionar esse olhar mais apurado sobre o design, as combinações de cores, as tipologias e a apresentação dos produtos, ampliando as oportunidades de mercado para essas mulheres. Ao mesmo tempo, o projeto convida o público a reviver memórias afetivas e a se reconectar com histórias que fazem parte da nossa trajetória”, destaca.
O projeto Casa de Vó reúne, ao todo, 20 artesãs. Além do grupo atendido em Assú, a iniciativa conta com a participação de dez integrantes da Cooperativa de Mulheres Artesãs e Empreendedoras de Mossoró (Coomea) e de outras artesãs. Em Mossoró, o projeto foi lançado na noite de terça-feira (16), no Camarote Institucional da Prefeitura, no Corredor Cultural, onde permanece aberto à visitação até o dia 21 de junho.

